sábado, 6 de abril de 2013

Right away, great captain


Right away, great captain

inerte
resignado
ao dissabor das intemperies
ao vagar languido das correntes
me entrego ao ocaso

nau a deriva
sem uma restia de valentia
da fé que impulsiona
ao mar desconhecido
e não mais que ressentido,
a fortuna me direciona

consumi as forças de outrora
da juventude, da aurora
de meus dias
domando mares bravios
desbravando terras insolitas
perseguindo sonhos e fantasias

mas eis que ergo a face
e encaro a tempestade
pelo primeiro momento
e embora diste no firmamento,
firmo os pés no convés
agarro com mais força o timão
e busco nas reservas
obtusas da alma
a derradeira motivação
a qual a iminente precipitação
por mais pungente
não será fácil dobrar


[essa é  a minha mais recente. o título faz referência ao pseudônimo do artista Andy Hull, do qual gosto muito, e casou bem com a temática. espero que gostem, é a minha primeira tentativa de escrever em estilo livre]

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Dos finais e/ou (re)começos


Fim do ano. Ou do que possa significar esse ínterim que convencionamos relacionar ao tempo necessário para uma translação completa do nosso planeta ao redor do sol. O que, na verdade, é bastante relativo, se você se perguntar qual o ponto de referência que foi utilizado para demarcar o início e o fim do ciclo. Mas a maioria indiferente não se questiona tais coisas, preocupada em pular 13 ondas e fazer promessas de regime que tão logo serão abandonadas. Bom, deve fazer alguma lógica dividir o tempo assim, algo com sua origem nas mudanças das estações, inclinação da terra, trajetória elíptica, equinócios e solstícios, fases lunares, ciclos menstruais, etc. Ou talvez, alguém tenha simplesmente olhado para um céu visivelmente mutável ao longo do tempo e decidido que assim seria, e conseguiu influenciar outros a adotar suas idéias, ou alguém(s) ainda mais notoriamente influente que decidiu que sua ideia era legal. Whatever. 

O fato é que tenho uma relação estranha com o tempo. Estranho essa mania estranha das pessoas de atribuir um sentido metafísico a certas constâncias temporais. Como fins de ano. E aniversários. Por isso não faço promessas de ano novo. As promessas não fazem diferença alguma se não forem cumpridas, ou no mínimo, dispensado um esforço sincero na tentativa de cumpri-las. Todavia, um exercício que considero bastante válido é fazer uma retrospectiva do que se passou consigo no decorrer desse intervalo. É interessante checarmos o quanto evoluímos, ou regredimos, se for o caso, e as lições valorosas que tiramos de nossas experiências, algumas forçadas, outras concordadas.

E aqui me encontro revivendo os momentos marcantes, as oportunidades perdidas, ora por comodismo em assumir ocupações desmotivantes, ora por puro receio de fracassar. Pouco avancei no quesito profissional, mas para ser justo, algum progresso financeiro consegui, ainda que ínfimo. Na questão intelectual, embora tenha lido bastante em quantidade, pouca coisa pude realmente absorver, pois a maioria disso tudo foi leitura recreativa e não tão enriquecedora. Ainda mantenho a minha velha inaptidão em adquirir e conservar relacionamentos pessoais, e chances para provar isso não faltaram. Descuidei demasiadamente da minha saúde, aumentei consideravelmente meus vícios, maltratei meu corpo a níveis pouco inteligentes para uma pessoa na minha condição de vida.

Se fiquei mais sábio? Pouco provável. O mais certo é que tenha ficado mais ranzinza, menos paciente, menos esperançoso, menos crédulo no futuro e diminuído minhas expectativas a um grau de mediocridade. Bom, não posso dizer que tudo foram espinhos nesse jardim de cactus, algumas florzinhas miúdas brotaram. Conheci pessoas interessantíssimas, as quais me agradaria deveras se pudessem ter nossos laços fortalecidos. E se for pra ter alguma meta alcançável no ano vindouro, que seja essa então. Além de finalmente conseguir meu diploma e publicar meus textos nada existenciais e comerciais, óbvio. Por fim, (do ano e desse post) é isso, embora não seja um fim. Na verdade não é nada demais, só mais uma coisa (lembrando da minha relutância em acreditar em algo que mude com a passagem dos ciclos anuais). Até ano que vem. 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Postagem sem mais importância, numa hora irrelevante, apenas pra preencher esse espaço


03:35

Não consigo dormir.

Juro que tentei. Apesar de dormir pouco, como já havia lhe falado, as vezes sinto falta. As vezes penso que uma boa noite de sono poderia apagar os últimos vestígios de um dia ruim. Não que meu dia tenha sido assim. Na verdade, há dias que não tenho a mínima noção do que estou fazendo.

Li os livros que me recomendaste. Assisti aos filmes também. Gostei, apesar de lamentar o fato de que não consiga emitir uma opinião mais profunda que um simples ‘gostei’. Talvez não tenha sua profundidade.  Mas por favor, entenda que não estou chamando você de intelectualóide. Mas já consigo ate imaginar sua reprovação ao meu comentário, rs. Anyway, eu não estava errado sobre a minha impressão quanto ao seu gosto artístico. É realmente singular. Esse é todo o diferencial. Você é singular.

Deve ser essa a causa. Sei que você analisaria a questão sob as mais diversas logicas, e finalmente me venceria com seus argumentos, mas se for o caso, admito de antemão minha derrota. Não posso debater racionalmente. Somente sinto, e o sentimento ofusca todo meu julgamento. Sinto sua falta. É isso.

Sai com meus amigos, li muito nesses dias, voltei a praticar o violão. Tentei viver a vida. Tentei não ligar muito pro que estou sentindo. Mas uma hora ou outra solitária que seja, o peso de toda essa negação cai sobre a gente, e particularmente nessas horas eu odeio me confrontar com a realidade. Hoje aconteceu. E agora estou aqui, me permitindo extravasar sem saber ao certo o resultado pratico deste feito. Terá um?

Talvez me arrependa de ter escrito tudo isso depois. Me arrependeria mais ainda se você lesse. Mas, não adianta. Pra que querer me enganar? Você me cativou. De um jeito que há tempos havia sido perdido. Não me vem a luz das lembranças mais proximas um momento em que tenha me sentido assim. Eu me senti vivo novamente. Fui como eu era, novamente. Como eu deveria ser. Leve, disposto, jovem... so que não me sinto mais assim agora. Os sorrisos bobos que você me arrancava levianamente a cada minuto se fecharam numa carranca fossilizada na minha face. Agora vagueio inquieto na minha casa de madrugada, como um animal enjaulado. Agora transmutei-me na minha própria caricatura, como aquelas do jornal de domingo.

Sinto sua falta. 

sábado, 17 de março de 2012

Andei sumido, é verdade. Sou desses que quando a inspiração falta, não tem conversa. Mas aproveitei esse tempo. Li vários livros que há séculos se amontoavam, re-assisti meus filmes favoritos. Andei por aí, e ao mesmo tempo por lugar nenhum. Talvez tenham me visto, mas acho pouco provável. Enfim, voltei a escrever. E dessa vez vai sair alguma coisa. Vamos ver no que vai dar. 

A título de informação (e mais ainda pra encher esse post), aí vai a lista do que tem me ocupado durante esse tempo (maldito vício em listas!):

  • O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway. Tocante, é tudo o que posso dizer. Na verdade não é tudo, mas sintetiza da melhor forma.

  • Angus, o Primeiro Guerreiro, de Orlando Paes Filho. Épico, empolgante, ótima pesquisa, uma viagem no tempo. (aprendi os nomes antigos de várias regiões da Bretanha.) 

  • A Estrada da Noite, de Joe Hill (filho do mestre Stephen King). Inacabado, mas tô gostando.

  • O Apanhador no Campo de Centeio, de Jerome David Salinger. Clássico que mudou toda uma época. Confesso que achei um tanto enfadonho no começo, pois Holden Caufield (personagem principal) era mais um boca-suja reclamão. Depois, compartilhei da sua revolta, da sensação de que nunca se está no lugar ideal fazendo o que se queira verdadeiramente fazer. Me vi muito nele. Ah, e impossível não se encantar por sua irmãzinha Phoebe!

  • Quando Eu Tiver 64, de André Takeda. Um livro feito em formato de posts de blog, como esse. Conflito de gerações, fuga de responsabilidades, medo de envelhecer. Gostei, mas você sente que falta algo mais. 

  • The Perks of Being a Wallflower (As Vantanges de Ser Invisível) de Stephen Chobsky. Resumo da ópera: meu livro favorito! Procurem-o, mas só encontrei a versão original, então quem não estiver muito familiarizado com o inglês, espere pelo filme que será protagonizado por Logan Lerman (Jack & Bobby, Percy Jackson, O Número 23) e Emma Watson (Harry Potter).

  • Bestiário, de Julio Cortazar. Não conhecia a obra dele, mas depois que se conhece os escritores hispano-americanos você não quer saber de outra coisa. Recomendo também Garcia Marquez e Jorge Luis Borges. Esse não é o melhor dele, que é Rayuela (O Jogo da Amarelinha) mas não consegui encontrá-lo. Quem tiver faça-me o favor de compartilhar ;)

  • Eu Sou o Mensageiro, de Markus Zusak. Excelente, a história te prende do começo ao fim sem titubear. Esse foi escrito antes de A menina que roubava livros, seu maior sucesso, mas é tão bom quanto. (pelo que ouvi falar, na verdade nunca li esse segundo, sempre achei o título meio de livro de auto-ajuda, rs)

  • Cartas a Um Jovem Poeta, compilação de cartas escritas por Rainer Maria Rilke. Nos dá a visão de um verdadeiro poeta sobre temas tão diversos como a vida, a natureza, o amor, os homens, até o sexo. Inspirador. 

  • O Diário de Anne Frank, editado por Otto Frank. A realidade nua e crua de duas famílias judias vivendo num esconderijo durante a Segunda Guerra Mundial, na visão das descobertas da jovem Anne, que como toda adolescente, fez de seu diário um confidente sincero, além de um subterfúgio para fugir do horror.  

  • Memórias de Minhas Putas Tristes, de Gabriel Garcia Marquez. Magistral! Dá até vontade de bater palmas quando se acaba de ler, como se tivéssemos acabado de assistir a uma bela peça.

Bom, acho que foram só esses até o momento. Mandem sugestões de livros favoritos seus =)

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Abismos existenciais

Pra grande maioria das pessoas, se não pra quase todas, é difícil saltar no abismo. E na nossa vida ordinária há incontáveis deles. Saltar é coisa pra corajosos. Só quem salta pode se deleitar com a vertigem alucinante da queda livre. Vale a pena? "Tudo vale a pena se a alma não é pequena", já dizia Fernando Pessoa. Bom, não faço idéia de quantos abismos ele saltou nem de quais em sua vida, mas se ele quer ter algum crédito pelo que escreve deve no mínimo saber do que se trata. O mundo é feito de pessoas reais, pessoas que saltam todo dia em abismos imensuráveis; dane-se o eu lírico! A própria existência humana é um salto no desconhecido. Pode ser um novo amor, uma proposta de emprego, a mudança de cidade, o início de uma família. O fato é que nunca sabemos o que esperar na aterrissagem. Só se pode acreditar, ou mesmo pular sem esperar nada. Como dizia outro 'poeta', que particularmente conheço bem mais que Fernando Pessoa: "O que nos dá coragem, não é o mar, nem o abismo/ é a margem, o limite, e sua negação" (Seguir Viagem - Humberto Gessinger). Coragem. Nada mais necessário no mundo hoje. Coragem pra mudar. Pra se indignar com os absurdos e não calar. Pra falar abertamente de sentimentos sem temer parecer piegas. Pra dialogar quando a saída mais fácil é o conflito gratuito. Pra se fazer o que tem que ser feito, e o que no fundo queremos muito fazer. Pra saltar no abismo sem pára-quedas.


foto: 10pãezinhos - Gabriel Bá e Fábio Moon

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Enquanto os ladrões dormem

Sabe quando me sinto mais solitário? À noite. Digo, adoro ficar acordado até altas horas madrugada adentro, adoro sentir o sereno acariciando meus cabelos e beijando meu rosto, eriçando meus pêlos. De noite me sinto mais disperto até. É o meu território, o território de um lobo uivando pra lua. Mas qual a finalidade de um lobo sem sua matilha mesmo? 
É verdade que não durmo muito. Dizem que terei problemas de saúde depois. Mas pra mim, o depois parece distante demais pra me preocupar com ele. E é por isso que continuo seguindo meu caminho torto pela madrugada à mercê da própria sorte. Não temo a noite. Antigamente, tinha um certo medo, não propriamente da noite em si, mas do que ela poderia abrigar. Assombrações das histórias que os mais velhos contavam, alienígenas que dissecavam humanos nos jornais sensacionalistas. Até dormia cedo, acalentado pelos cuidados familiares, e mais tarde pelas canções românticas das estações de rádio que escutava quando um aparelho toca-discos fora instalado no meu quarto. O que agradeço imensamente, pois moldou muito do meu gosto musical. Mal sabia eu que dividia aquelas músicas melosas com os caminhoneiros e vigias que labutavam àquelas solitárias horas. Pensar nisso hoje me faz sentir menos solitário. A diferença é que, enquanto eles constróem seu destino, hoje eu desconstruo o meu. 
Nessas silenciosas horas, enquanto até os ladrões dormem, eu contemplo as estrelas do meu quintal. Aprendi a identificar algumas. Elas me remetem aos antigos fenícios, persas e egípcios que também as olhavam procurando desvendar seu mistério. E a Copérnico e a Galileu que acreditavam que elas nos diriam muito mais do que os homens poderiam entender à época. E a Colombo, Drake e Fernão de Magalhães, que se lançavam aos mares nunca dantes navegados em busca do seu destino, sem saber do retorno certo. Não me lanço a lugar algum limitado por essas paredes. Só a mente mesmo que viaja.

sábado, 2 de julho de 2011

Don't Stand At My Grave and Weep


Não fique no meu túmulo e chore
Eu não estou lá. Eu não durmo.
Eu sou mil ventos que sopram.
Eu sou o diamante que brilha na neve.
Eu sou a luz do sol nos grãos maduros.
Eu sou a gentil chuva de outono.
Quando você acordar na calmaria da manhã
Eu sou a correria apressada de se levantar
Dos pássaros silenciosos que voam em círculo.
Eu sou as suaves estrelas que brilham na noite.
Não fique no meu túmulo e chore;
Eu não estou lá. Eu não morri