terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Abismos existenciais

Pra grande maioria das pessoas, se não pra quase todas, é difícil saltar no abismo. E na nossa vida ordinária há incontáveis deles. Saltar é coisa pra corajosos. Só quem salta pode se deleitar com a vertigem alucinante da queda livre. Vale a pena? "Tudo vale a pena se a alma não é pequena", já dizia Fernando Pessoa. Bom, não faço idéia de quantos abismos ele saltou nem de quais em sua vida, mas se ele quer ter algum crédito pelo que escreve deve no mínimo saber do que se trata. O mundo é feito de pessoas reais, pessoas que saltam todo dia em abismos imensuráveis; dane-se o eu lírico! A própria existência humana é um salto no desconhecido. Pode ser um novo amor, uma proposta de emprego, a mudança de cidade, o início de uma família. O fato é que nunca sabemos o que esperar na aterrissagem. Só se pode acreditar, ou mesmo pular sem esperar nada. Como dizia outro 'poeta', que particularmente conheço bem mais que Fernando Pessoa: "O que nos dá coragem, não é o mar, nem o abismo/ é a margem, o limite, e sua negação" (Seguir Viagem - Humberto Gessinger). Coragem. Nada mais necessário no mundo hoje. Coragem pra mudar. Pra se indignar com os absurdos e não calar. Pra falar abertamente de sentimentos sem temer parecer piegas. Pra dialogar quando a saída mais fácil é o conflito gratuito. Pra se fazer o que tem que ser feito, e o que no fundo queremos muito fazer. Pra saltar no abismo sem pára-quedas.


foto: 10pãezinhos - Gabriel Bá e Fábio Moon

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Enquanto os ladrões dormem

Sabe quando me sinto mais solitário? À noite. Digo, adoro ficar acordado até altas horas madrugada adentro, adoro sentir o sereno acariciando meus cabelos e beijando meu rosto, eriçando meus pêlos. De noite me sinto mais disperto até. É o meu território, o território de um lobo uivando pra lua. Mas qual a finalidade de um lobo sem sua matilha mesmo? 
É verdade que não durmo muito. Dizem que terei problemas de saúde depois. Mas pra mim, o depois parece distante demais pra me preocupar com ele. E é por isso que continuo seguindo meu caminho torto pela madrugada à mercê da própria sorte. Não temo a noite. Antigamente, tinha um certo medo, não propriamente da noite em si, mas do que ela poderia abrigar. Assombrações das histórias que os mais velhos contavam, alienígenas que dissecavam humanos nos jornais sensacionalistas. Até dormia cedo, acalentado pelos cuidados familiares, e mais tarde pelas canções românticas das estações de rádio que escutava quando um aparelho toca-discos fora instalado no meu quarto. O que agradeço imensamente, pois moldou muito do meu gosto musical. Mal sabia eu que dividia aquelas músicas melosas com os caminhoneiros e vigias que labutavam àquelas solitárias horas. Pensar nisso hoje me faz sentir menos solitário. A diferença é que, enquanto eles constróem seu destino, hoje eu desconstruo o meu. 
Nessas silenciosas horas, enquanto até os ladrões dormem, eu contemplo as estrelas do meu quintal. Aprendi a identificar algumas. Elas me remetem aos antigos fenícios, persas e egípcios que também as olhavam procurando desvendar seu mistério. E a Copérnico e a Galileu que acreditavam que elas nos diriam muito mais do que os homens poderiam entender à época. E a Colombo, Drake e Fernão de Magalhães, que se lançavam aos mares nunca dantes navegados em busca do seu destino, sem saber do retorno certo. Não me lanço a lugar algum limitado por essas paredes. Só a mente mesmo que viaja.

sábado, 2 de julho de 2011

Don't Stand At My Grave and Weep


Não fique no meu túmulo e chore
Eu não estou lá. Eu não durmo.
Eu sou mil ventos que sopram.
Eu sou o diamante que brilha na neve.
Eu sou a luz do sol nos grãos maduros.
Eu sou a gentil chuva de outono.
Quando você acordar na calmaria da manhã
Eu sou a correria apressada de se levantar
Dos pássaros silenciosos que voam em círculo.
Eu sou as suaves estrelas que brilham na noite.
Não fique no meu túmulo e chore;
Eu não estou lá. Eu não morri

domingo, 22 de maio de 2011

o coração frio do escorpião


Entenderam? Não? Vou explicar. Essa lindeza aí da foto é a estrela Antares, também chamada de Alpha Scorpi (derivado do nome latino da constelação de escorpião, da qual Antares é a estrela Alpha, a principal). É uma super gigante vermelha. Agora às explicações: super gigante, porque ela é cerca de 700 e poucas vezes maior que o Sol! e 10.000 vezes mais brilhante. Aliás, é a 16ª estrela mais brilhante do céu noturno. E por que estou falando dela agora? Porque a melhor época para vê-la está se aproximando, é dia 31 de maio, onde ficará visível a noite toda no céu, em oposição ao Sol. Para reconhecê-la, basta procurar por um ponto vermelho, devido a sua cor (porém, cuidado pois Marte também tem coloração avermelhada visto da Terra. Aliás, o nome Antares vem de Anti-Ares, pois as duas rivalizam seu brilho vermelho. Ares era o deus da guerra grego, Marte para os romanos).



O nome do post tem a ver com a condição de Antares. Ela fica bem no meio da constelação de escorpião, no lugar do coração. E frio, porquê, apesar de todo seu esplendor e magnitude, Antares é mais fria que o Sol, porque ela está no fim de seus dias. : ( Seu brilho vermelho atesta sua idade, quanto mais velha for a estrela mais vermelha. Estrelas jovens que têm muito hidrogênio em seu interior pra queimar como combustível são azuis, e as adultas são amarelas, como o nosso Sol. No fim de sua vida, que ainda vai demorar alguns milhares de anos, e mais ainda pra sabermos, pois ela está a 600 anos-luz da Terra, ela se transformará no maior fenômeno inexplicável do universo: um buraco negro! Até no fim ela será magnânima, rs. Deixo aqui a pergunta: será que o coração dos escorpiões é frio mesmo? Como bom escorpionino, e sei que a fama que temos não é das melhores, vou provar meu ponto de vista: deixar a resposta subentendida, rsrs. Mais uma foto da minha linda estrela:

sábado, 14 de maio de 2011

O Grande Gatsby


Este é o título do livro que acabei essa semana. Foi escrito por Francis Scott Fitzgerald, um dos maiores ícones da literatura americana, e um dos escritores da chamada 'geração perdida'. Vocês podem reconhecê-lo, se não dos seus livros propriamente, mas das várias adaptações de suas obras, a mais recente foi o conto O Curioso Caso de Benjamin Button (que será o próximo que eu lerei), filme estrelado por Brad Pitt e Cate Blanchet. Esse livro também foi adaptado, em um filme homônimo estrelado por Robert Redford. Outras de suas obras incluem o livro Suave é a Noite (Tender is the Night, também adaptada ao cinema, e título de uma canção popular interpretada por Elvis Presley) e Belos e Malditos (The Beautiful and the Damned, também título de uma canção popular escrita por Renato Russo e interpretada por Dinho Ouro Preto). Como se vê, há várias referências à suas obras no contexto popular. Posso dizer que em pouco tempo em que o conheço já se tornou um dos meus favoritos. Ele soube expressar como ninguém a 'le follie' americana pós Primeira Guerra. Os loucos anos americanos! O livro em questão não foge da temática mais abordada em sua bibliografia, nele ele desmascara as contradições da sociedade aristocrática., os vícios e excessos dos americanos que consideravam estar em pleno paraíso.  Fitzgerald utiliza uma linguagem estilistica comum a própria época, com bastante detalhamento de ambientes, mas que não deixa de ter uma linha lógica. É um livro de muito bom gosto, e considerado pela crítica como um de seus melhores. Me fez mergulhar no mundo dos grandes jantares, da pompa dos bailes, e das ruas escuras e malfadadas com seus cabarets abertos a noite inteira.

sábado, 2 de abril de 2011

Terra dos Homens


Eis o livro que li essa semana. É do escritor e aviador francês Antoine de Saint-Exupéry, filho do conde Jean de Saint-Exupéry e da condessa Marie de Foscolombe, autor também do clássico imortal O Pequeno Príncipe. Pra começar, só posso tecer elogios ao livro, é emocionante, daqueles que nos reanima a fé no espírito humano, do qual o escritor parece ser bem entendedor, pois o situo dentre os mais humanistas dos escritores, até mais que outros dessa estirpe como Ernest Hemingway. Pode parecer de um lirismo exarcebado, pleno de exaltações e metáforas relativas ao deserto e ao ofício de aviador que desempenhou nos primeiros anos do século passado, aliás, é repleto de uma linguagem pouco usual nos dias de agora, e pode parecer meio repetitivo, ou melhor, enfático nesse aspecto, mas sinceramente, nunca vi antes um homem falar de sua profissão com tamanha paixão, e compreendê-la tão significativamente, digo, não só sobre o ponto de vista dele e da máquina, pois ele transcende a essa limitação, e declara quase que uma verdadeira ode ao efeito sinérgico provocado pela interação homem-máquina-meio ambiente-homem. Principalmente o que advém da relação homem-homem. É especialmente sobre isso que o livro fala, das relações humanas, das situações de superação, da busca pela sobrevivência e o encontro com o 'eu interior' e ao mesmo tempo universal, ilustradas nas histórias de seus companheiros Mermoz, Guillaumet, Bonnafous, Prévot e na dele próprio. É uma profissão de fé na humanidade, uma celebração da vida, mesmo que se apresente árdua em terrenos inóspitos como o deserto ou regiões bélicas. O último capítulo nos força a ter muitos questionamentos sobre como lidar com a situação de inferioridade em que alguns dos nossos irmãos se encontram, e nos faz voltar ao essencial de cada um de nós enquanto pertencentes ao todo que é a humanidade. Foi publicado em 1939, e traduzido para o português por Rubem Braga. Recomendo. Eis algumas frases do livro:


"A perfeição não é alcançada quando não há mais nada a ser incluído, mas sim quando não há mais nada a ser retirado".


"A experiência mostra que amar não é olhar um para o outro, mas olhar juntos na mesma direção."


"Não podemos compreender o mundo em que vivemos se não nos encerramos em nós mesmos."

sexta-feira, 25 de março de 2011

Entardecer

Um dos meus passatempos era caminhar no fim de tarde. Antes por esporte, depois por pura contemplação. Pôr do sol sempre me seduziu. Como luas cheias. Nunca são os mesmos, por mais que já se tenham visto milhares. Vistos, mas não reparados, essa é a questão. Outro dia andei imaginando como teria sido o primeiro do planeta. Ou o primeiro que um ancestral nosso tenha se encantado em eras remotas. O fato é que o encantamento persiste, através da passagem indiferente das areias na ampulheta do tempo. Pois bem, caminhava e cantava e seguia a canção toda tarde após ter concluído o ensino médio. E me encantava com os raios derradeiros do sol. E com as garotas que praticavam cooper. Imagino agora se algum ancestral meu também já se encantara com alguma garota passeando ao pôr do sol.

(foto tirada no sítio do Tião, grande brother. o joelho no canto inferior esquerdo é meu, rsrs)

sábado, 19 de março de 2011

Counting Crows


Mais uma das bandas que curto muito. Vocês podem não estar ligando os nomes aos rostos, mas com certeza já ouviram, é só lembrar do filme Shrek! A música Accidentaly in Love fez parte da trilha do filme Shrek 2. Também outra já muito rodada na MTV e nas rádios é a música Mr. Jones, single do primeiro disco August and Everything After, de 1993. Segundo o site da banda, já venderam mais de 20 milhões de discos nos seus 20 anos de carreira, com 5 discos de estúdio lançados e mais 2 ao vivo e 2 compilações até o presente. O estilo pode ser definido como rock alternativo (o que na minha modesta opinião, não define nada, rssrs). É uma banda super agradável de ouvir, com baladas marcantes e muito bem feitas, embaladas pela voz e o jeito de cantar anasalado bem característico de Adam Duritz. Só pra situar vocês, aí vai uma palhinha:


As principais influências da banda são Bob Dylan, REM, Van Morrison, Nirvana e The Band (nada mal hein?) As minhas preferidas são A Long December e Holiday in Spain. Vou deixar com vocês a coletânea Films About Ghosts, lançada em 2003. Enjoy! =)

quinta-feira, 17 de março de 2011

(Des)Caminho

Ontem te vi. Passei ao seu lado, mas não me percebeste. Senti o mesmo calafrio costumeiro, a mesma eletricidade eriçando meus pêlos, a mesma reviravolta no estômago. E continuei meu caminho.

I Coríntios, 13

...Agora o vejo em partes, mas então veremos face a face...

Sem dúvida o texto mais belo e significativo já escrito sobre o amor. Refletindo sobre essa passagem, percebi que sempre realizei o amor como a luz refratada num prisma multifacetado. Penso que a grande maioria das pessoas também. O vemos incompleto, ou melhor, só uma parte dele, uma pequena faixa do espectro de cores. Cada um o enxerga como melhor lhe aprouver: o amor carnal, o amor maternal, o amor-próprio, o amor humanitário, o amor fraternal, o amor por uma causa, o amor conjugal, etc. Ando me questionando quando o veremos e entenderemos em sua totalidade, quando entraremos em comunhão com o amor-todo. E principalmente, se é possível fazê-lo em tempos turbulentos como o nosso. Mas é justamente nas intempéries que se revelam muitos dos trunfos ocultos do coração humano. Na provação se revela a grandeza de caráter de muitos, a estender a mão corajosamente e desprentenciosamente ao desconhecido e socorrê-lo. E na contrapartida, também nos mostra a limitação de cada um de nós em suportar o fardo que nos é imposto. Se isso não for um vislumbre do que o amor é capaz de realizar, não sei mais o que seria...

O amor é paciente, tudo espera, tudo suporta, tudo crê.

Eis uma verdade sólida. Entendo o amor aqui exposto não como uma entidade abstrata, despersonalizada. O amor, como gosto de ver, é aquela centelha que nunca se exaure que habita dentro de nós. Podem argumentar que são apenas reações bioquímicas irradiadas por nossas glândulas, que não há nada de mágico, especial. É apenas o puro instinto de sobrevivência que nos leva a manter relações amorosas, como limitam-se a pensar os céticos, intelectuais e racionalistas. Será? Eu gosto de pensar que não. Há algo de inexplicável no amor, algo de que a ciência não pode se apropriar...algo tão...sublime.

Coração indigente (parte 2)


Essa não era, nem de longe, a vida que sonhara pra si. Se pudesse voltar os anos, no momento exato em que deveria ter feito a escolha que mudaria o rumo dos acontecimentos futuros! Lêdo engano, pois tal façanha, mesmo que possível, mesmo que existisse esse momento decisivo, mudaria apenas uma série de eventos, e talvez nem fosse tantos quanto imaginava que seriam, além de causar tantos outros adversos. A vida como é de comum acordo, é feita de escolhas. Muitas, diárias. Escolher não fazer nada, permanecer inerte frente aos acontecimentos, também é assumir uma posição e as implicações que dela decorrem. Mudar seu estilo de vida na juventude, andar com outras companhias, frequentar outros lugares poderiam até ter mudado sua condição atual, mas são escolhas que deveriam ser feitas e reiteradas nos momentos oportunos e mesmo assim, não há muitas garantias, nunca houve e nem poderiam haver, se a mudança também não se der no âmbito interior. Portanto, são apenas conjecturas....

Mas ainda há tempo. Sempre há, enquanto se está vivo. Ela só precisava de motivação, sair da sua zona de conforto, de um jeito ou de outro. A começar por 'ele'. Seria o primeiro impasse a ser resolvido, na sua lista de prioridades, pois já havia consumido mais do que o necessário de suas forças. Resolveria isso logo. Resolveria sua vida, ou a bagunçaria de vez. Mas tinha que ser com ou sem ele. 

I can't live with or without you. (U2)

sexta-feira, 11 de março de 2011

Segundo Amor


"Nós temos onze anos e ela é o amor de minha vida
Mas em uma semana, ela virará de costas para mim
Em quatro anos, ela me dará esperança, mas dormirá com meu melhor amigo
Em cinco anos, estaremos juntos, mas não restará
nada desse amor doído e sublime.
Mas eu não sei disso agora.
Porque temos onze anos e ela é o amor de minha vida."
(Second Love - Pain of Salvation) 

quinta-feira, 10 de março de 2011

Coração indigente (parte 1)


Ela ainda parecia estar  lá. No fundo ele sabia, achava que não, mas sempre esteve. Ela era o seu refúgio, seu porto seguro, sua tábua de salvação. Só acalmava-lhe o ímpeto quando estava aninhado em seus braços, coisa não sentida antes com outras pessoas, outros relacionamentos. Sempre ficava irrequieto, seu coração  não sossegava, estava em constante palpitação. Com ela era diferente. Ficava tranquilo, compassado. Era como a sensação boa de estar em casa novamente depois de uma temporada fora, uma viagem, uma ausência qualquer. Era como deitar na sua cama, comer a comida de mãe, usar o velho jeans macio de tanto que fora gasto. Ouvir os velhos discos, olhar antigas fotos, pisar as mesmas pedras da rua. Podia quase sentir seu cheiro, seu beijo trazido por alguma brisa mais brincalhona. Boa sensação estranha.

segunda-feira, 7 de março de 2011

The Wallflowers


Outra das bandas que amo, a excelente banda de rock alternativo liderada pelo filho de  niguém menos que o monumento do folk Bob Dylan, Jakob Dylan. A banda, originalmente chamada The Apples, foi formada em 1989, e teve inúmeras formações, mas sempre com a presença constante de Jakob. O primeiro cd, homônimo, foi lançado em 1992, e apesar de na época ter vendido apenas 40 mil cópias, hoje já ultrapassou a marca de 1 milhão. Somente em 96 eles lançaram seu segundo multi-platinado albúm, Bringing Down the Horse, o qual rendeu 2 Grammy, de Melhor Perfomance de Rock por Dupla ou Banda com Vocal, e Jakob ganhou o de Melhor Canção de Rock. É desse album a minha favorita, 6th Avenue Heartache: 




Em 2000 lançam seu terceiro albúm, Breach, que teve como carro-chefe a maravilhosa canção Sleepwalker. Nesse disco eles contaram com a participação de Elvis Costello nos vocais, e teve, como também aconteceu nos outros albúns, algumas canções que fizeram parte de soundtracks pra TV e cinema (Só pra citar algumas, American Wedding, Godzilla, Zoolander, CSI, Cold Case, The Guardian, dentre outras). Fizeram uma tour juntamente com Tom Petty, e após as turnês o guitarrista Michael Ward deixou a banda alegando diferenças criativas, desde então a banda que era um quinteto passou a se apresentar como quarteto.


Em 2002 eles lançam seu quarto albúm, Red Letter Days, que apresenta a banda com uma sonoridade mais agressiva. Destaque para as músicas How Good it Can Get, e Closer to You. Curiosidade, durante a divulgação deste albúm eles chegaram a tocar em Alcatraz, para um especial de tv, sendo a primeira banda a fazer isso. Em 2005 vem o lançamento mais recente, Rebel, Sweetheart, que tem 2 músicas maravilhosas, The Beautiful Side of Somewhere e God Says Nothing Back (que eu particularmente amo!) Recentemente Jakob Dylan lançou seu primeiro disco solo, Seeing Things, com uma roupagem mais voltada para o folk, recomendadíssimo! Deixo pra vocês a coletânea The Wallflowers Collected 1996-2005, que reúne os maiores sucessos da banda:

http://www.4shared.com/file/aRleBUeF/The_Wallflowers-Collected_1996.html

quinta-feira, 3 de março de 2011

A Fonte e o Cântaro

Como estou lendo o Evangelho Segundo Jesus Cristo do escritor português José Saramago, vi essa expressão numa passagem da concepção de Jesus, concepção advinda do ato carnal mesmo, entre Maria e José. Achei a expressão muito emblemática, por isso resolvi parafraseá-la, espero que com o devido consentimento do finado mestre Saramago, para fazer um post sobre gêneros. 

No referido livro, Saramago utilizou-se da expressão 'fonte' para designar o sexo masculino; somos a fonte da vida, aqueles que provêem a semente, o gérmen. O sexo feminino seria por sua vez o 'cântaro', o cálice, o receptáculo. Engraçado que 'fonte' é substantivo feminino, e 'cântaro' é masculino, ou seja, houve uma inversão. E não parece ser tão somente quanto aos gêneros da palavra,  visto que homens e mulheres têm suas peculiaridades, por mais que as convenções jurídicas queiram afirmar que todos são iguais em direitos e deveres perante a lei, mas como pode ser se, só a título de ilustração, temos períodos distintos para as licenças maternidade-paternidade e aposentadoria por idade? Bom, essa questão deixo a cargo dos juristas, o que pretendo explorar, além da óbvia distinção biológica, é a diferenciação ou semelhança interior.

Sempre se falou que mulheres são emotivas e homens são racionais. Não que não haja controvérsias. Há homens emotivos, e mulheres racionais. E há os dois sendo as duas coisas ao mesmo tempo. Mas aí eu me pergunto, por quê seria assim? Será uma mera adaptação evolutiva? Será que nossos hormônios nos direcionam forçosamente a essa configuração de seres? Há influência do meio, do ambiente, da educação? (se bem que a influência do meio está ligada a característica adquirida pela evolução, e acredito que vice-versa, no caso dos humanos) E o que dizer dos homossexuais?

São perguntas de dificílima resolução. Freud, o maior entendedor da mente que já pisou nesse mundo, já havia se feito essa pergunta no fim da vida: "o que querem as mulheres?" E o que querem os homens? Vocês sabem? Sei que se formos enveredar por esse debate, estaríamos fadados a passar o resto de nossas vidas numa discussão sem que cheguemos a um consenso, mas é algo que gosto de fazer, como exercício mental, pensar bastante nas questões existenciais que permeiam a vida. Pois bem, vou registrar minhas impressões.

Tanto homens quanto mulheres são sentimentais. Se os compartilham, se os externalizam, aí já é outra história. Todos têm seus momentos. E momentos de racionalidade também. O que é difícil é ser racional quando se está sendo emotivo, sempre que temos que tomar decisões quando estamos tomados de assalto por algum sentimento, creio que perdemos temporariamente a capacidade de estabelecer as relações entre as causas e efeitos de um problema, e sua efetiva resposta. E é deveras complicado também ser racional quando se tem que decidir sobre um evento que esteja imbuído de sentimento. O que quero provar com essa linha de raciocínio é que não dá mais para usar emoção e razão para diferenciar homens e mulheres, concordam? Ou não?

Me parece que os hormônios entram também pra bagunçar as coisas, no caso das mulheres no bendito período de TPM, e da gravidez, que as tornam demasiadaemente sensíveis, ou no caso dos homens, que a testosterona empurra para caçar jovens incautas nas noites da vida. Se nossos hormônios influenciam nosso comportamento, eu diria relativamente sim, em parte e em determinados e passageiros momentos. Já ouvi explicações que relatavam que hormônios femininos estariam mais relacionados à manutenção de uma relação de longo prazo, como no caso da gravidez, que necessitam dos homens para satisfazer suas necessidades, já que só podem engravidar uma vez por ano. Já os hormônios dos homens  estariam mais direcionados à 'caça', já que podem engravidar uma ou mais mulheres por dia, para cumprir seu papel biológico de perpetuar a espécie. Mas não podemos afirmar categoricamente que nosso  caráter comportamental se resume somente à influência biológica, como eu havia dito antes. Existe o lado psicológico também, nossas crenças e valores internalizados, nossos modelos mentais, nossa resposta a estímulos ambientais e todo o resto que direciona e diferencia o nosso comportamento do de outro sexo, e mesmo de outro ser do mesmo sexo.

Mas o fato mais importante, e que está acima de todas as diferenciações existentes, é que precisamos um do outro. Precisamos mesmo, em todos os sentidos. Pra que fique bem claro para os singles, homossexuais, celibatários, que vão contra-argumentar, dizendo: por quê eu precisaria do sexo oposto? eu explico: quando digo que precisamos em todos os sentidos, incluo não só o sentido sexual, afetivo, conjugal, mas o sentido profissional, familiar, comunitário, humano enfim, em qualquer grau. Até mesmo para criticar, rsrsrs! No fim, somos exatamente como o mestre falou com tanta propriedade, e com tamanha simplicidade, que resume tudo: somos a fonte e o cântaro.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Das dores do ser e de ser

Esse ano começou muito promissor, até bem pouco tempo atrás, questão de dias. Recebi uma notícia que arruinou ele, estou enfrentando ainda a parte non-sense disso tudo, como se tivesse perdido o chão sob meus pés. A tão malfadada notícia é que não me formarei mais agora, terei que esperar até o fim do ano que vem, por causa das cátedras que são pré-requisitos. É tudo tão irracional! Deixar que um software decida nossa vida, como é o caso do sistema acadêmico empregado na minha universidade, e que ainda não está em pleno funcionamento. Essas coisas acerca da vida dos alunos deveriam ser decididas por pessoas devidamente habilitadas, mas parece que todo mundo rendeu-se às maravilhas tecnológicas de um sistema integrado e ficaram de mãos atadas. Ainda não consigo digerir, sério! Todos os planos, os projetos pessoais, terão que ser refeitos agora. It sucks!

Gente muito querida minha disse que no fim tudo vai dar certo, que tenho que manter a esperança. Na boa, eu acho isso muito vago, não quero desacreditar deles, nem quero ser tão fatalista, embora as circunstâncias colaborem para isso, mas é que tô cansado, só isso, muito cansado, emocionalmente. Esses dias cinzentos e empoeirados minaram minhas energias. Sei que não é a pior notícia do mundo, tenho plena consciência disso, mas não estou aqui para medir desgraças numa balança, cada um sabe do calvário que atravessa na vida, né?

Outra coisa que tem me incomodado muito, e provavelmente a parte que agrave tudo isso, é o fato de estar me sentindo inevitavelmente só. Engraçado pensar sobre isso agora, sempre senti minha privacidade sendo invadida a todo momento, porém agora parece bem diferente. Talvez antes também o fosse, apenas eu ainda não havia ajustado o foco certo do meu ponto de vista. Sentir falta do contato humano era a última coisa que outrora eu ousaria admitir. Mas como já ouvi dizer por aí, o pior grito é o som do silêncio, e posso perceber claramente o significado. O silêncio realmente grita em seu consciente, te força a encarar os medos antigos que se julgavam enterrados, mas apenas temporariamente adormecidos. E você começa a dialogar com ele, sentir vontade de gritar, para pelo menos ter o que ouvir de volta. A casa que era pequena e barulhenta de repente fica grande demais, quieta demais. E no fim das contas, você acaba se tocando de que não precisava de tanto espaço assim.

Pois é, como disse estou muito cansado, minhas forças parecem sublimar justo quando preciso mais delas. E não se trata somente de repor minhas noites insones, é muito mais que isso, é um lance meio que espiritual mesmo, preciso de tempo para mim, um tempo do qual não disponho, para sanar minhas questões mal resolvidas que andam se acumulando e já não é possível varrê-las para debaixo do tapete sem que transbordem. Vou ficar meio blasé durante algum tempo, até que consiga tirar alguma coisa proveitosa disso. No mais, é só.


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Poesia

Decidi que este ano escreveria bem mais, face aos acontecimentos recentes que mancharam minha alma, agora tenho bastante sentimentos reprimidos que a medida do possível transformarei em algo escrito, para ao menos tirar algo proveitoso disso tudo, fazer uma limonada com os limões que a vida forçosamente nos presenteia. E pra começar, como já havia me imposto o desafio de voltar a escrever poesias, eis o primeiro resultado dessa 'tentativa'. Ainda não desenferrujei completamente, a última poesia que escrevi foi lá pelos idos anos de 2004, então peco com relação a métrica e ao ritmo, mas espero que com a prática renovada eu consiga melhorar. 


Eis me aqui irresoluto novamente
buscando sentido nesse infindo vagar
da mente, que ignora o sinal de cessar
gritado amiúde pelo coração indulgente

O que ganho com esse ato dolente?
além de cansaço, insônia e pesar?
pois nada disso parece acrescentar
algo de bom que desanuvie esse ente

Enquanto não fujo desse martírio
resta-me extrair alguma coisa útil
que ao menos mantenha sua valia

Visto que até do mais cruel suplício
que nos renega sequer um refúgio,
tem-se nascida uma simples...poesia


Tá certo que não sou nenhum Camões ou um Shakespeare, mas eu já tinha avisado que essa fora a primeira tentativa em anos! rsrs.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Noturno



Eis o livro que ando lendo esses dias. É a primeira aventura literária do cineasta mexicano Guillermo del Toro (Blade 2, O Labirinto do Fauno, Hellboy, remake de O Orfanato) em conjunto com o escritor americano de suspense Chuck Hogan, de quem o próprio Stephen King já havia falado estar entre os 10 melhores escritores do gênero na atualidade. Ele faz parte da chamada Trilogia da Escuridão, em que o segundo livro já lançado chama-se A Queda e o terceiro ainda não tem previsão, mas espera-se que ainda será lançado esse ano, mas de título provisório de Noite Eterna. Esse primeiro livro narra com precisão cirúrgica (essa analogia caiu como uma luva) o ataque de seres tão antigos quanto a própria humanidade, à maior metrópole do mundo, Nova Iorque, e os acontecimentos que se desencadeiam para um objetivo ainda mais ousado e definitivo, a dominação total do planeta. Que seres seriam esses? os strigoi, os temidos e incansáveis vampiros! Agora, se você está imaginando um bando de frescos que brilham ao contato com Sol e são 'vegetarianos' e moram em florestas, está redondamente enganado! Até porque quem mora em florestas e vive brilhando por aí são fadas, e não vampiros! (toma essa Stephenie Meyer!). Os vampiros de Noturno são nada mais do que vampiros, no pior sentido da palavra. São parasitas hematófagos da raça humana, na qual estão infiltrados há séculos e até mantém uma certa relação de parceria, como evidenciado no livro.

Noturno surpreende pela descrição pormenorizada das anatomias tanto humana quanto vampírica (quem lê sente-se assistindo a uma autópsia, rsrs), pela descrição de fatos e fenômenos (como na passagem do eclipse solar, aprendi muita coisa com esse livro!) e pelo pessimismo e até descrença na raça humana e na sua luta pela sobrevivência, como pude perceber em algumas passagens. Mas nem tudo está perdido! Existem heróis que não se põe resignados, mesmo que sintam-se carregando o peso do mundo nas costas. No fundo, trata-se da incansável luta das espécies, como diria Darwin. Muitos podem argumentar que por se tratar justamente disso, é um livro bastante previsível, mas eu contra-argumentaria, depois de enfrentar a saga Crepúsculo, que esse sim é um dos melhores livros sobre o tema como não víamos desde Anne Rice. Os autores mostraram que não queriam escrever um livro bobo e sem conteúdo, dá até pra imaginar a pesquisa  que tiveram que fazer! Pra quem gosta de horror gótico, essa trilogia é bastante recomendável. Estou curioso pra ler o segundo volume, ainda não o tenho disponível :(

P.S.: eu perdi o link que tinha do livro, então ainda vou decidir se disponibilizo aqui, ok? :)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Amoreco!

Bom, por sugestão (leia-se curiosidade! rsrs) da amiga Ítala do blog Rascunhos de Ítala, o post de hoje será uma pequena 'análise' sobre relacionamentos (opa!). Não sou famoso por falar com o uso de eufenismos, então muito do que está escrito aqui pode soar meio que indigesto, mas garanto que vou me esforçar  ao máximo para dar o devido polimento às palavras sem prejudicar o conteúdo. Bem sei que é um terreno pedregoso, e desde já afirmo que não sou de forma alguma letrado sobre o assunto, pode-se até dizer que não sou o melhor conselheiro sentimental do mundo (pra falar a verdade tô na lista dos 10 piores! rsrs) Mas mesmo com a minha falta de maturidade e intimidade com o tema, vamos lá, vou expor minha opinião.

Discutir, tanto quanto manter relacionamentos é uma tarefa sinuosa, requer não só um senso mínimo  da condição humana como também acredito que uma sensibilidade, um jogo de cintura. Essa é a parte mais espinhosa do caminho. É preciso estar na pele do outro, mergulhar em seu íntimo e compreender suas motivações, anseios, carências. Não digo para tornarmos experts em comportamento humano, mas com o mínimo de observação já se consegue algum efeito, alguma empatia. Muito do que tenho observado vai justamente pelo caminho inverso: há muita paranóia, maniqueísmo, neurose e manipulação nos relacionamentos atuais; há demasiado conflito de poder, interesses, território; há sempre uma contenda, às vezes subliminar, pela palavra final, pelo horário, pelo merecimento do voto de confiança. Joga-se pra escanteio o verdadeiro (pelo menos em teoria) sentido de se estar junto, pela posse do controle desse jogo, pelo lado que pesa mais na balança. Pois bem, penso que relacionamentos não deveriam ser disputas! E claro, tem quem argumente que toda e qualquer relação humana imbue-se de conflitos de interesses, que é uma característica intrínseca à própria manutenção da sobrevivência da mesma, que não podemos nos desvencilhar disso, mas a questão a que quero chegar é a de que até que ponto, grau ou escala o conflito se torna excessivamente danoso ao próprio objetivo de se vivenciar uma relação. 

Penso que uma relação deva ser saudável e equilibrada. Parece muita demagogia isso, mas acredito que ao se buscar um entendimento comum, o verdadeiro sentido de se estar junto, a sentimentalidade latente que deveria unir as pessoas possa de fato emergir, e não ficar apenas nas adjacências. Se existe fórmula pra isso? Se alguém souber, me avise! kkkk!!! Brincadeira, rsrs, o fato é que não acredito em fórmulas prontas. Qualquer tentativa de relativizar o comportamento humano, com todas as suas nuances, e limitá-lo à padrões pré-estabelecidos me parece sempre um grande exercício de futilidade. Sou da escola de pensamento que prega que cada caso é um caso; contudo, creio que em linhas gerais, o resultado almejado possa ser o mesmo, a harmonia pautada no sentimento comum que une as pessoas. Soa bonito? Pois é, quisera ver mais disso do que casais se deterem em pequenezas destrutivas. Pequenezas? Quer dizer que você acha que as brigas que temos muitas vezes poderiam ser evitadas, as discussões relevadas, o rancor esquecido e não guardado para ser usado como arma futura? A resposta é SIM!

Outra questão me vem à mente, quando falei mais acima que manter relacionamentos é uma tarefa sinuosa, pra não dizer árdua: ninguém mais quer ter trabalho com isso! Vejo que a nossa vida moderna se entupiu de tantas facilidades, que as pessoas tornaram-se relapsas com tudo o que antes demandava esforço e dedicação. É muito mais fácil, lúdico, relax, ingressar numa relação de fachada do que construir uma sólida. Ou nem sequer ingressar, já que se pode manter o status de single, e pegar geral por aí! rsrs Entretanto, relações necessitam prioritariamente de dedicação, e não me refiro àquele grude velado, mas um querer sincero e consciente, e da pretensão de levá-la adiante. Então, para que nossas relações, como qualquer outro empreendimento na vida, não se tornem tão somente descartáveis, é preciso definir antes de mais nada o que realmente queremos, qual o lugar que queremos alcançar, e o quanto estamos dispostos a dar para que possa ser realizado. Não necessita ser um planejamento metódico demais, pois também pode-se correr o risco de se tornar inflexível, e aí já é um outro motivo plausível para o seu fim; basta apenas que seja uma entrega verdadeira.

Finalizando, não por falta de mais assunto, mas por falta de argumentos para abordá-lo (deixa pra outro post, rsrs) gostaria de ver mais pessoas revendo seus hábitos, muitas vezes pequenos e que possam julgar insignificantes, mas que somados ao stress da vida corrida,  à falta de tempo, ao pouco descanso, podem se transformar numa bola de neve que culminará numa avalanche, e que muitas vezes encontra seu alvo nos relacionamentos que cultivam. E que façam justamente isso, cultivem seus relacionamentos! Plantem, reguem, colham seus frutos. Por mais que pra muitos possam parecer ilógicos, confusos,(e confesso que me incluo nesse grupo), relacionamentos valem a pena, sempre se pode aprender com eles, de uma forma feliz ou não, mas sempre se aprende.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Gary Moore

O post de hoje é meio triste...É como muito pesar que tivemos a notícia essa semana da morte desse genial guitarman, o incrível Gary Moore. Confesso que essa é a notícia que eu não esperava ouvir tão cedo. =( Sempre fui fã dele, e o colocava no panteão dos maiores guitarristas blueseiros da história, mesmo que andasse meio sumido dos holofotes ultimamente, mas com certeza deixou obras memoráveis, tanto na carreira solo, quanto no Skid Row, Thin Lizzy e BBM. Sei que tem muito material na internet sobre ele, e sinto-me como se estivesse escrevendo algo irrelevante, frente a tantos sites especializados, por isso pretendo não me alongar em detalhes sobre sua biografia, mas sobre minhas impressões pessoais sobre seus discos mais significativos pra mim. 




O primeiro deles é de longe o mais bem-sucedido comercialmente, o sensacional Still Got the Blues, de 1990. Quem nunca ouviu a música tema do disco não sabe como é se arrepiar com o melhor timbre de Gibson Les Paul da história! sem exageros! Todas, absolutamente todas as músicas desse disco são sensacionais! E isso é dificil de se achar num trabalho fonográfico, sempre têm algumas que se sobressaem sobre as demais, umas mais marcantes, outras que passam desapercebidas, enfim. Esse disco é recomendadíssimo pra se ouvir num rock bar, bebendo litros e litros de whisky barato! rsrs. Tem seus momentos mais rocker, que dá vontade de subir na mesa e dançar, e tem belíssimas passagens slow, pra curtir uma boa dor de cotovelo, rsrs. Desse disco também saiu outro de seus temas bastante repercutido, Walking by Myself, um blues com uma pegada nervosamente distorcida como não tenho lembrança de ter ouvido antes! Aliás, os bluesmen dessa nova safra que apareceu em meados da década de 90 parecem ter bebido bastante da fonte inspiradora de Gary Moore, como por exemplo Johnny Lang e Kenny Wayne Sheperd, pois nunca antes discos de blues tinham aparecido com tanto punch, peso. Eis uma demonstração do timbre maravilhoso de Gary Moore, com a música que o consagrou:


O segundo disco que mais me influenciou foi o projeto gravado em parceria com os titânicos do rock Ginger Baker e Jack Bruce, antigos companheiros do outro titânico Eric Clapton, no Cream. Esse disco, Around the Next Dream é uma porrada nos ouvidos! Discão mesmo! Pena que o BBM (Baker, Bruce & Moore) como ficou conhecido esse super power trio, tenha durado pouco. Alguns o comparam com um possível Cream renovado, mas sinceramente, resguardadas as devidas proporções, eu achei com uma sonoridade bem mais hot, agressivo, misturado com um timbre bem mais clean, se é que isso é possível, rsrs mas na falta de um termo melhor pra me expressar vai ficar assim mesmo. :) Destaque para Can't Fool the Blues, High Cost of Loving, e I Wonder Why (Are You So Mean to Me?). Me parece bem um disco de tiozões old school ensinando uma lição pras gerações vindouras como se fazia um blues-rock macho antigamente! mas parece que elas ainda não aprenderam a lição, hehe! ^^




Pois pessoal, é isso. Encerro esse post com uma sensação de vazio, pois mesmo não conhecendo nossos ídolos pessoalmente, sempre bate um luto quando eles se vão, por causa da importância que tiveram nas nossas vidas, tantas emoções compartilhadas com suas obras, tantos momentos de embriaguez com os amigos, tantas dores de cotovelo embaladas com suas belas canções, tantas coisas que queríamos dizer e eles nos emprestaram a voz...Deixo aqui os 2 cds que comentei, os mais significativos pra mim, pra quem não teve a oportunidade de escutá-lo em vida, é uma boa conhecer o quanto suas músicas são legais. E quem sabe desperte o interesse de vocês em buscar mais da obra dele, com certeza vale muito a pena!


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Precipitação

Esse texto meu é antigo, mas vejam se agrada:

A tarde caía em brumas. O trânsito caótico de final de expediente fluía lentamente pelas avenidas, numa profusão de sons, fumaça, pessoas. Havia pressa nos rostos, cansaço nos olhares, e uma vontade inquietante de retornar ao conforto dos lares, para o merecido descanso após mais um dia estafante de trabalho.
ELA observava o tráfego lento pela vidraça da janela do apartamento, enquanto a noite esfriava gradualmente, achando bonito o efeito das luzes serpenteando ao longo da avenida. Olhava para aquelas pessoas apressadas em abrigar-se da chuva iminente, pensava em todas aquelas vidas subordinadas ao ritmo frenético da vida moderna nos grandes centros urbanos. “Tantos olhares que nunca se cruzam, tantas histórias que nunca se encontram”, pensou. Ao fundo uma suave balada no rádio preenchia o ambiente, que agora já estava envolto pela penumbra. Nem se importou em acender a luz, de tão calma que se figurava aquela cena.
Lá embaixo, participante do trânsito quase estático, ELE encontrava-se distraído em meio a devaneios longínquos.  Já havia desistido da idéia de retornar para casa na hora costumeira, e impacientar-se com a morosidade do percurso não adiantaria muito àquela altura, embora outros motoristas não compartilhassem de seu ponto de vista. Provavelmente ele próprio fosse o primeiro a estressar-se, se fosse num outro dia, numa outra ocasião. Conscientemente ele previa que a chuva aproximava-se, e que quando chovia o trânsito que já estava desconcertado tornava-se infernal, mas naquele dia, isso lhe parecia irrelevante. Naquele dia, era como se não tivesse urgência em chegar a lugar algum.
Aqueles momentos de abstração vieram como um refúgio em uma semana que lhe testou os limites. Não lhe vinha à luz das lembranças mais próximas um momento sequer em que estivesse completamente absorto em si mesmo, distante das preocupações que lhes pesavam sobre os ombros. Do alto de seus quase quarenta anos, sobrevividos mais que vividos, via-se preso em um turbilhão de obrigações que às vezes lhes exigiam um esforço extra-humano, como as reclamações familiares, os contratempos da repartição da qual era encarregado, os relatórios e planilhas que teria que analisar, as contas a vencer, etc. Contrariando a situação, naquele momento, deleitava-se com aqueles poucos minutos de uma tranqüilidade disfarçada, chegava até a ser irônico sentir-se relaxado dentro do automóvel enquanto lá fora a rua assemelhava-se a uma arena de gladiadores, todos disputando alguns poucos centímetros que fossem. Entretanto, em seu íntimo pressentia que ao colocar o primeiro passo casa adentro, aquela quietude seria interrompida pelos reclamos rotineiros. Por isso, não lhe alterou o humor o fato de atrasar-se, o fato de o trânsito estar em um engarrafamento descomunal, e o fato de que pioraria muito ainda se a chuva concretizasse sua ameaça, se pudesse desfrutar um pouco mais daquela solitude quase confortável dentro do carro. Momentos como esse eram escassos...

E ae? O que acharam? Essa foi mais uma tentativa de aventurar no mundo da escrita, rsrs ^^ Dúvidas, críticas, sugestões, comentários, fiquem inteiramente à vontade! O retorno de vocês é muito gratificante!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Elliott Smith

Mais um do meu acervo musical, e um dos músicos que gosto bastante, o insubstituível Elliott Smith:


Creio que ele não seja muito conhecido pelo pessoal atualmente (pelo que não ouço falar), eu mesmo o conheci há pouco mais de um ano e meio, mas suas músicas me cativaram logo de cara. Tudo começou (senta que lá vem história, rsrs) por causa do filme Good Will Hunting (Gênio Indomável, de Gus van Sant) que particularmente é um dos meus preferidos (não pelo Matt Damon e Ben Affleck, pelamordedeus!) mas pelo enredo (Oscar de Melhor Roteiro Original de 1998; Globo de Ouro de Melhor Roteiro de 1998) e pela belíssima atuação do Robin Williams.


Sei que alguns argumentam que não é a melhor atuação dele, mas foi bastante comovente, e é isso o que importa pra mim, que o ator convença na interpretação. Mas enfim, Elliott Smith compôs a maioria das músicas do filme, e até concorreu ao Oscar, mas perdeu pra My Heart Will Go On da Celine Dion (essa não precisa nem comentar né? ¬¬' ). Então vamos lá conhecer mais sobre ele:

Elliott Smith (Steven Paul Smith, nasceu em 6 de agosto de 1969, e faleceu em 21 de outubro de 2003 --> perceberam que assim como o Jeff Buckley, eu tenho uma queda por cantores mortos? vai saber!). Filho de pais separados, Elliott nunca teve um relacionamento saudável com o padrasto, e aos 14 anos mudou-se novamente para a casa do pai biológico, onde foi na adolescência que começou o consumo de álcool e drogas. Desde muito cedo já despontava seu talento musical, aos 9 anos já tocava piano e aos 10 violão. No período pós-colegial começou a tocar clarinete e guitarra, inclusive tocando em algumas bandas. Foi durante essa época que começou a ser conhecido como Elliott. Ele ainda se formou em filosofia e ciências políticas pela Hampshire College, antes de voltar para sua cidade, onde formou a banda Heatmiser, que tinha uma 'proposta sonora' (pegada, rsrs) mais voltada para o grunge e punk.


A banda durou até 95, mas Elliott já havia lançado seu primeiro cd solo, Roman Candle, um ano antes. Porém, o reconhecimento e a fama vieram definitivamente com a música Miss Misery, tema do filme Gênio Indomável.



Elliott sofreu e lutou contra a depressão e o consumo de drogas por anos, mas foi no dia 21 de outubro de 2003, após uma discussão com sua namorada, que ele foi encontrado morto com 2 facadas no peito. A autópsia foi inconclusiva quanto a suicídio ou homicídio. Lançou 5 discos solo, e ainda foram lançados 1 disco póstumo (o qual ele estava trabalhando na época de sua morte) e 2 compilações, além de uma biografia, também póstuma e um memorial.

Então, pra que vocês conheçam e se encantem, deixo aqui o meu disco preferido, Either/Or:

http://www.mediafire.com/file/1px4nf1r1b1gk14/Elliot%20Smith%20-%20either.rar

Apreciem e comentem! C;

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Reflexão (parte 2)

Continuando o post anterior, deixo aqui um texto bem legal que encontrei num fórum de música que eu participo, é do cordelista Antônio Barreto. É meio longo também, vou avisando, se preferirem não ler todo, mas muito legal pra refletir:


Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.


Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…

Reflexão (parte 1)

Esse post é meio polêmico, mas não poderia deixar de escrevê-lo, pois já há algum tempo está entalado em minha garganta! rsrs. Afirmo que se trata de opinião pessoal, portanto, podem concordar ou não, mas o objetivo pretendido é a reflexão. Pois bem, aí vai:

Certa vez andei me indagando a respeito da mediocridade intelectual dessa nova geração, o que, de certa forma, constitui um tremendo paradoxo, pois nunca se produziu tanta informação na história como na nossa época. Contudo, se olharmos mais de perto, percebe-se claramente que o acúmulo de informação não torna as pessoas mais cultas. Até porque, dentro desse contexto, inserem-se alguns questionamentos pertinentes: o primeiro refere-se à utilização dessa informação toda, pois creio que o conhecimento traduz-se não somente no adquirimento da informação, como também no uso e na assimilação desse uso; segundo, o que concerne à qualidade (valor) dessa informação, pois a velha máxima de que qualidade não é quantidade parece aplicar-se bem ao caso, e aí entra o requisito primordial, o discernimento do indivíduo.

Na  minha época de colégio não tínhamos sequer acesso aos meios midiáticos que existem hoje, na mesma forma e proporção (que fique claro que não sou nenhum matusalém, rsrs acabei o ensino médio há apenas 6 anos atrás!) Entendo que se trata de um processo evolucionário, novas tecnologias surgem diariamente, e concomitantemente a elas, novas formas de divulgação. Pois bem, como pode ser, então, que essa molecada de hoje parece tão mais alienada do que a da minha época de escola? Não estou defendendo que aqueles tempos eram melhores, até porque aquilo já era um prenúncio do que se encontra hoje, mas me refiro sim ao potencial para se buscar conhecimento que se tem hoje, que é infinitamente maior. O que acontece então?

O que tenho visto bastante é a banalização, causada, entre outros motivos, ao grande volume de informação produzida e veiculada. Informação na grande maioria das vezes inútil, diga-se de passagem. Muito do que se tem visto, ouvido e divulgado nas mídias de massa não passa de futilidade. Estão nos emburrecendo (perdoem o termo) com programas ruins, músicas ruins, (aliás, pra serem ruins tem que melhorar muito ainda!) e opiniões tão profundas quanto um pires. É lógico que existe muita coisa boa, basta saber separar o joio do trigo, e é aí onde quero chegar: sabemos separar o joio do trigo?

Sei muito bem que ter senso crítico machuca, divide, separa, isola as pessoas. Não é fácil viver como um ser pensante. Sofre-se bullying, exclue-se da vida social, torna a convivência mais penosa. E isso nos meus anos de colégio era bem pior, quando não se falava em bullying e ser nerd ou geek não era modinha como hoje. Compreendo também que há muito ressentimento quanto a isso, vejo casos e casos, de pessoas que detém algum nível de conhecimento julgar, segregar ou tratar os demais pobres mortais como inferiores. Penso que ser inteligente não significa necessariamente ser intragável, até porque até hoje não tenho ciência de uma forma eficaz de se auferir a medição de níveis de inteligência, testes de Q.I. se provaram verdadeiros fiascos. O que defendo sim, é a formação de um senso crítico, a capacidade de valoração da informação, e com os recursos que se dispõe atualmente nem é algo tão difícil de se conseguir, haja visto a grande quantidade de exemplos ruins que temos para efeitos de ilustração. Mas como combater as grandes corporações que nos entopem de lixo cultural? (até me dói usar a palavra cultural nessa frase!) Isso é algo para se questionar.

Como cientista da área de humanas, creio que tenho por princípio denunciar e combater as contradições e desigualdades sociais. Gostaria sim de viver numa sociedade mais culta, bem informada, onde jovens prefiram ler livros ao invés de assistir BBBesteiras. Mas essa é minha utopia. Desculpem pelo post longo, rsrs, sintam-se inteiramente à vontade para comentar, todas as opiniões são sempre muito bem-vindas!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Jeff Buckley

Continuando com os posts sobre bandas/músicos que me inspiram, eis que trago mais um para o conhecimento geral da nação: Jeff Buckley.



Bom, o que falar sobre ele que já não tenha sido dito e repetido pelos maiores críticos musicais e revistas especializadas? o que tenho a acrescentar é que ele é o responsável pela minha música favorita! Isso mesmo, tô revelando essa confidência, rsrs, mas não vou dizer qual é! ^^

Um pouco da história dele:

Jeff Buckley nasceu em 17 de novembro de 1966 e faleceu em 29 de maio de 1997. Filho de Tim Buckley, também cantor, começou a tocar guitarra para não ser comparado ao pai. Estudou no G.I.T., fez diversos shows, e tocou com diversas bandas, até ser convidado para tocar em um show cover do seu pai, e foi aí que as coisas deram uma guinada na carreira dele, pois descobriu-se que além de cantar muito bem, tinha uma voz afinadíssima.





Logo surgiram os convites para assinar contrato com uma gravadora, acompanhando a banda Gods and Monsters, o que foi prontamente recusado, por achar que isso acabaria restringindo de alguma forma sua evolução musical. Continuou a cantar e tocar em carreira solo em um bar em Nova Iorque chamado Sin-é, e foi onde mais obteve feedback do público, pelo fato do espaço dar condições para essa aproximação. Outra reviravolta em sua carreira aconteceu nesse mesmo bar, onde um dos empresários da Columbia o ouviu e convidou para assinar um contrato. Dessa vez, aceito o convite, em 94 lança o primeiro e único album (em vida) intitulado Grace. Mal sabia que esse mesmo disco seria aclamado pela crítica e seria obrigatório em lists dos discos mais significativos da década, mesmo tendo pouca repercussão em número de vendas, pois seu som não se enquadrava na onda das rádios da época. Mesmo assim, a revista Rolling Stone o classificou como o nº 303 dos 500 melhores discos de todos os tempos! (eu colocaria dentre os 100!) Nesse disco está a canção que o imortalizou, o cover de Hallelujah de Leonard Cohen. (quem nunca ouviu essa música não deve ter vivido nesse planeta nas últimas décadas!):



Buckley ganhou o reconhecimento de personalidades famosas do meio musical, como Bono Vox, Jimi Page e Paul MacCartney. Depois de uma turnê de 2 anos, começou a compor material para o seu segundo disco, mas insatisfeito com o resultado decidiu não lançá-lo. Foi daí que em 97, o destino trágico de Buckley foi selado: enquanto nadava no Wolf River cantarolando Whole Lotta Love do Led Zeppelin, Jeff se afogou, e só depois de uma semana acharam seu corpo nas margens do rio Mississipi. Seu album póstumo Sketches for my sweetheart the drunk, foi ainda lançado em 98, mas abrindo um parêntese para uma opinião pessoal, não sei se Jeff aprovaria o resultado, pois além de algumas músicas estarem incompletas, digo, ainda estava trabalhando nelas, esse segundo disco nem de longe repete a glória de Grace.

Uma vez Bono Vox disse a respeito de Jeff: "Jeff Buckley é uma gota cristalina num oceano de ruídos". Eu assino embaixo. A indústria musical realmente é um oceano de ruídos, e digo mais, um oceano poluído, degradado. E então aparece esse cara com voz de anjo e que toca guitarra com tanta personalidade, uma gota límpida, à deriva. Nasceu da música, viveu para ela, e ironicamente morreu cantando. Pra mim é difícil falar dele sem me emocionar, por tantas vezes que ele já me emocionou ao ouvir Grace. Putz, que falta faz esse cara! Imagino as músicas que ele estaria fazendo hoje, com certeza colocaria muitas dessas bandinhas novas pra escanteio. Então, para que se conheça o melhor de Jeff Buckley, aí vai o album Grace, e vejam porque ele sempre será lembrado como um gênio musical que infelizmente nos deixou cedo (parece haver um karma que acompanha a vida de todos os gênios, que sempre se vão cedo, por isso as pessoas só tendem a reconhecê-los depois que se vão)


http://www.4shared.com/file/kAQwNgTI/Jeff_Buckley_1994-_Grace.html

Devaneios (parte 3)

Queria poder me libertar desses sentimentos conflitantes! Queria poder ir além do que me é permitido no momento, abraçar o que ainda dista, mas já desponta no horizonte. Não consigo tirá-los da cabeça, como tivessem se hospedado à revelia de minha cautela, a mesma que me mantém ancorado. Sinto-me encarcerado em labirintos que eu mesmo construí. À medida que avanço, temo e freio, receoso (do quê?). Ah coração irrequieto! Por vezes prudente e ao mesmo tempo sôfrego!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Devaneios (parte 2)

Mais uma noite insone e eis o resultado:

No princípio, havia um certo comedimento, um 'não-sei-o-quê' que os impedia de se aprofundarem um ao outro, situação aparentemente mais do que esperada para dois seres não-íntimos. Porém, com o decorrer do tempo, moroso para quem espera, célere para quem se deleita, aquela situação de mera casualidade foi aos poucos cedendo lugar a uma ânsia recíproca, uma sofreguidão pela presença do outro, um contar de segundos infindável. Foram aos poucos e cada vez mais se reconhecendo na figura alheia, nas falas, meneios, pensamentos. E como que de súbito veio a fome, a sede, e todas as carências iminentes que somente seriam saciadas pela convergência dos dois em um só...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Spain

Essa é um das minhas bandas favoritas, e a que eu mais ouvi no ano passado. Um pouco sobre ela:



Spain é uma banda americana de slowcore (ou sadcore) formada em 1993, liderada pelo baixista Josh Haden, filho do lendário jazzista Charlie Haden. Seu primeiro album, The Blue Moods of Spain, foi lançado em 1995, e apresenta uma das características principais da banda, que é o andamento bastante lento das músicas. Desse primeiro album Johnny Cash fez um cover da música Spiritual, além de ter tido muitas músicas fazendo parte de trilhas sonoras de filmes e programas de TV.(Uma coisa que eu particularmente curto demais nessa banda, além do lirismo direto e simples das letras, são as capas dos discos, são de uma sensibilidade incrível!)


O segundo disco intitulado She Haunts My Dreams, o meu favorito diga-se de passagem, foi lançado em 1999, e teve algumas de suas músicas como temas também, como por exemplo a música Everytime I Try usada no filme The End of Violence do diretor Wim Wenders, e a música Our Love is Gonna Live Forever, usada em um episódio da série Six Feet Under (A Sete Palmos, como ficou conhecida no Brasil, aliás, essa série eu recomendo bastante, mas será assunto pra outro post ;) ).


O terceiro album da banda, chamado I Believe, foi lançado em 2001, e foi o último album de inéditas antes do rompimento.


A banda ainda lançou uma compilação em 2003, com o nome de Spirituals: The Best of Spain. Para os fãs saudosos dessa incrível banda, uma boa notícia: em 2007 Josh Haden reformulou a banda e está trabalhando nas músicas do novo album que tem previsão para ser lançado em breve (espero!). Em janeiro de 2010 o novo single I'm Still Free foi lançado no iTunes. Agora é só aguardar!

Pra quem não conhece, disponibilizo os 2 primeiros cds:

http://www.mediafire.com/?i1ukt5suqun3hf1

http://www.mediafire.com/?ioqxxmsq5uixyfa

Qualquer problema com os links, me comuniquem. Enjoy! :)