terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Devaneios (parte I)

Escrevi isso há algumas noites atrás, pois como sempre sou mais ativo à noite (bendita insônia!)

É engraçado como tudo parece bem agora.
Quando digo engraçado, não intenciono dar uma conotação de descaso à situação, longe disso, apenas quis expressar um simplório contentamento. É engraçado de um jeito confortavelmente familiar, estranhamente bom, como as lembranças longínquas da infância. Nós aqui, deitados juntos, abraçados, como se o mundo fora dessas fronteiras de tijolos não nos alcançasse, não existisse. Tudo agora exala um clima de paz, na penumbra do nosso quarto parcamente iluminado por um tímido fio de luz vindo de um outro cômodo, como se também estivesse hesitante de nos incomodar. Tudo é distante e silencioso a estas altas horas madrugada adentro; apenas nós, entregues a quentura do corpo alheio, embalados pelo som ínfimo da respiração. Sinto que provavelmente não devo compartilhar a contemplação do momento contigo, envolto em abstrações; pois imagino sim que estás simplesmente a esvaziar a mente dos pensamentos costumeiros e deleitando-se com a quietude. Eu, como sempre, tendo a divagar e extrair tudo dos meus pensamentos, até mesmo em circunstâncias como essa, em que deveria somente me entregar e aproveitar. Porém não digo que não estou, pois é justamente dando vazão aos meus devaneios que me aquieto e relaxo. Nesse ponto somos bastante distintos, e quase certamente esteja a imaginar demais, porém, de certo essa não é a hora para pensarmos em distinções, em nós, ou em nada...

[qualquer semelhança com a realidade ou com a ficção é mera semelhança!]

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