segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Reflexão (parte 1)

Esse post é meio polêmico, mas não poderia deixar de escrevê-lo, pois já há algum tempo está entalado em minha garganta! rsrs. Afirmo que se trata de opinião pessoal, portanto, podem concordar ou não, mas o objetivo pretendido é a reflexão. Pois bem, aí vai:

Certa vez andei me indagando a respeito da mediocridade intelectual dessa nova geração, o que, de certa forma, constitui um tremendo paradoxo, pois nunca se produziu tanta informação na história como na nossa época. Contudo, se olharmos mais de perto, percebe-se claramente que o acúmulo de informação não torna as pessoas mais cultas. Até porque, dentro desse contexto, inserem-se alguns questionamentos pertinentes: o primeiro refere-se à utilização dessa informação toda, pois creio que o conhecimento traduz-se não somente no adquirimento da informação, como também no uso e na assimilação desse uso; segundo, o que concerne à qualidade (valor) dessa informação, pois a velha máxima de que qualidade não é quantidade parece aplicar-se bem ao caso, e aí entra o requisito primordial, o discernimento do indivíduo.

Na  minha época de colégio não tínhamos sequer acesso aos meios midiáticos que existem hoje, na mesma forma e proporção (que fique claro que não sou nenhum matusalém, rsrs acabei o ensino médio há apenas 6 anos atrás!) Entendo que se trata de um processo evolucionário, novas tecnologias surgem diariamente, e concomitantemente a elas, novas formas de divulgação. Pois bem, como pode ser, então, que essa molecada de hoje parece tão mais alienada do que a da minha época de escola? Não estou defendendo que aqueles tempos eram melhores, até porque aquilo já era um prenúncio do que se encontra hoje, mas me refiro sim ao potencial para se buscar conhecimento que se tem hoje, que é infinitamente maior. O que acontece então?

O que tenho visto bastante é a banalização, causada, entre outros motivos, ao grande volume de informação produzida e veiculada. Informação na grande maioria das vezes inútil, diga-se de passagem. Muito do que se tem visto, ouvido e divulgado nas mídias de massa não passa de futilidade. Estão nos emburrecendo (perdoem o termo) com programas ruins, músicas ruins, (aliás, pra serem ruins tem que melhorar muito ainda!) e opiniões tão profundas quanto um pires. É lógico que existe muita coisa boa, basta saber separar o joio do trigo, e é aí onde quero chegar: sabemos separar o joio do trigo?

Sei muito bem que ter senso crítico machuca, divide, separa, isola as pessoas. Não é fácil viver como um ser pensante. Sofre-se bullying, exclue-se da vida social, torna a convivência mais penosa. E isso nos meus anos de colégio era bem pior, quando não se falava em bullying e ser nerd ou geek não era modinha como hoje. Compreendo também que há muito ressentimento quanto a isso, vejo casos e casos, de pessoas que detém algum nível de conhecimento julgar, segregar ou tratar os demais pobres mortais como inferiores. Penso que ser inteligente não significa necessariamente ser intragável, até porque até hoje não tenho ciência de uma forma eficaz de se auferir a medição de níveis de inteligência, testes de Q.I. se provaram verdadeiros fiascos. O que defendo sim, é a formação de um senso crítico, a capacidade de valoração da informação, e com os recursos que se dispõe atualmente nem é algo tão difícil de se conseguir, haja visto a grande quantidade de exemplos ruins que temos para efeitos de ilustração. Mas como combater as grandes corporações que nos entopem de lixo cultural? (até me dói usar a palavra cultural nessa frase!) Isso é algo para se questionar.

Como cientista da área de humanas, creio que tenho por princípio denunciar e combater as contradições e desigualdades sociais. Gostaria sim de viver numa sociedade mais culta, bem informada, onde jovens prefiram ler livros ao invés de assistir BBBesteiras. Mas essa é minha utopia. Desculpem pelo post longo, rsrs, sintam-se inteiramente à vontade para comentar, todas as opiniões são sempre muito bem-vindas!

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