sábado, 26 de fevereiro de 2011

Das dores do ser e de ser

Esse ano começou muito promissor, até bem pouco tempo atrás, questão de dias. Recebi uma notícia que arruinou ele, estou enfrentando ainda a parte non-sense disso tudo, como se tivesse perdido o chão sob meus pés. A tão malfadada notícia é que não me formarei mais agora, terei que esperar até o fim do ano que vem, por causa das cátedras que são pré-requisitos. É tudo tão irracional! Deixar que um software decida nossa vida, como é o caso do sistema acadêmico empregado na minha universidade, e que ainda não está em pleno funcionamento. Essas coisas acerca da vida dos alunos deveriam ser decididas por pessoas devidamente habilitadas, mas parece que todo mundo rendeu-se às maravilhas tecnológicas de um sistema integrado e ficaram de mãos atadas. Ainda não consigo digerir, sério! Todos os planos, os projetos pessoais, terão que ser refeitos agora. It sucks!

Gente muito querida minha disse que no fim tudo vai dar certo, que tenho que manter a esperança. Na boa, eu acho isso muito vago, não quero desacreditar deles, nem quero ser tão fatalista, embora as circunstâncias colaborem para isso, mas é que tô cansado, só isso, muito cansado, emocionalmente. Esses dias cinzentos e empoeirados minaram minhas energias. Sei que não é a pior notícia do mundo, tenho plena consciência disso, mas não estou aqui para medir desgraças numa balança, cada um sabe do calvário que atravessa na vida, né?

Outra coisa que tem me incomodado muito, e provavelmente a parte que agrave tudo isso, é o fato de estar me sentindo inevitavelmente só. Engraçado pensar sobre isso agora, sempre senti minha privacidade sendo invadida a todo momento, porém agora parece bem diferente. Talvez antes também o fosse, apenas eu ainda não havia ajustado o foco certo do meu ponto de vista. Sentir falta do contato humano era a última coisa que outrora eu ousaria admitir. Mas como já ouvi dizer por aí, o pior grito é o som do silêncio, e posso perceber claramente o significado. O silêncio realmente grita em seu consciente, te força a encarar os medos antigos que se julgavam enterrados, mas apenas temporariamente adormecidos. E você começa a dialogar com ele, sentir vontade de gritar, para pelo menos ter o que ouvir de volta. A casa que era pequena e barulhenta de repente fica grande demais, quieta demais. E no fim das contas, você acaba se tocando de que não precisava de tanto espaço assim.

Pois é, como disse estou muito cansado, minhas forças parecem sublimar justo quando preciso mais delas. E não se trata somente de repor minhas noites insones, é muito mais que isso, é um lance meio que espiritual mesmo, preciso de tempo para mim, um tempo do qual não disponho, para sanar minhas questões mal resolvidas que andam se acumulando e já não é possível varrê-las para debaixo do tapete sem que transbordem. Vou ficar meio blasé durante algum tempo, até que consiga tirar alguma coisa proveitosa disso. No mais, é só.


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Poesia

Decidi que este ano escreveria bem mais, face aos acontecimentos recentes que mancharam minha alma, agora tenho bastante sentimentos reprimidos que a medida do possível transformarei em algo escrito, para ao menos tirar algo proveitoso disso tudo, fazer uma limonada com os limões que a vida forçosamente nos presenteia. E pra começar, como já havia me imposto o desafio de voltar a escrever poesias, eis o primeiro resultado dessa 'tentativa'. Ainda não desenferrujei completamente, a última poesia que escrevi foi lá pelos idos anos de 2004, então peco com relação a métrica e ao ritmo, mas espero que com a prática renovada eu consiga melhorar. 


Eis me aqui irresoluto novamente
buscando sentido nesse infindo vagar
da mente, que ignora o sinal de cessar
gritado amiúde pelo coração indulgente

O que ganho com esse ato dolente?
além de cansaço, insônia e pesar?
pois nada disso parece acrescentar
algo de bom que desanuvie esse ente

Enquanto não fujo desse martírio
resta-me extrair alguma coisa útil
que ao menos mantenha sua valia

Visto que até do mais cruel suplício
que nos renega sequer um refúgio,
tem-se nascida uma simples...poesia


Tá certo que não sou nenhum Camões ou um Shakespeare, mas eu já tinha avisado que essa fora a primeira tentativa em anos! rsrs.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Precipitação

Esse texto meu é antigo, mas vejam se agrada:

A tarde caía em brumas. O trânsito caótico de final de expediente fluía lentamente pelas avenidas, numa profusão de sons, fumaça, pessoas. Havia pressa nos rostos, cansaço nos olhares, e uma vontade inquietante de retornar ao conforto dos lares, para o merecido descanso após mais um dia estafante de trabalho.
ELA observava o tráfego lento pela vidraça da janela do apartamento, enquanto a noite esfriava gradualmente, achando bonito o efeito das luzes serpenteando ao longo da avenida. Olhava para aquelas pessoas apressadas em abrigar-se da chuva iminente, pensava em todas aquelas vidas subordinadas ao ritmo frenético da vida moderna nos grandes centros urbanos. “Tantos olhares que nunca se cruzam, tantas histórias que nunca se encontram”, pensou. Ao fundo uma suave balada no rádio preenchia o ambiente, que agora já estava envolto pela penumbra. Nem se importou em acender a luz, de tão calma que se figurava aquela cena.
Lá embaixo, participante do trânsito quase estático, ELE encontrava-se distraído em meio a devaneios longínquos.  Já havia desistido da idéia de retornar para casa na hora costumeira, e impacientar-se com a morosidade do percurso não adiantaria muito àquela altura, embora outros motoristas não compartilhassem de seu ponto de vista. Provavelmente ele próprio fosse o primeiro a estressar-se, se fosse num outro dia, numa outra ocasião. Conscientemente ele previa que a chuva aproximava-se, e que quando chovia o trânsito que já estava desconcertado tornava-se infernal, mas naquele dia, isso lhe parecia irrelevante. Naquele dia, era como se não tivesse urgência em chegar a lugar algum.
Aqueles momentos de abstração vieram como um refúgio em uma semana que lhe testou os limites. Não lhe vinha à luz das lembranças mais próximas um momento sequer em que estivesse completamente absorto em si mesmo, distante das preocupações que lhes pesavam sobre os ombros. Do alto de seus quase quarenta anos, sobrevividos mais que vividos, via-se preso em um turbilhão de obrigações que às vezes lhes exigiam um esforço extra-humano, como as reclamações familiares, os contratempos da repartição da qual era encarregado, os relatórios e planilhas que teria que analisar, as contas a vencer, etc. Contrariando a situação, naquele momento, deleitava-se com aqueles poucos minutos de uma tranqüilidade disfarçada, chegava até a ser irônico sentir-se relaxado dentro do automóvel enquanto lá fora a rua assemelhava-se a uma arena de gladiadores, todos disputando alguns poucos centímetros que fossem. Entretanto, em seu íntimo pressentia que ao colocar o primeiro passo casa adentro, aquela quietude seria interrompida pelos reclamos rotineiros. Por isso, não lhe alterou o humor o fato de atrasar-se, o fato de o trânsito estar em um engarrafamento descomunal, e o fato de que pioraria muito ainda se a chuva concretizasse sua ameaça, se pudesse desfrutar um pouco mais daquela solitude quase confortável dentro do carro. Momentos como esse eram escassos...

E ae? O que acharam? Essa foi mais uma tentativa de aventurar no mundo da escrita, rsrs ^^ Dúvidas, críticas, sugestões, comentários, fiquem inteiramente à vontade! O retorno de vocês é muito gratificante!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Elliott Smith

Mais um do meu acervo musical, e um dos músicos que gosto bastante, o insubstituível Elliott Smith:


Creio que ele não seja muito conhecido pelo pessoal atualmente (pelo que não ouço falar), eu mesmo o conheci há pouco mais de um ano e meio, mas suas músicas me cativaram logo de cara. Tudo começou (senta que lá vem história, rsrs) por causa do filme Good Will Hunting (Gênio Indomável, de Gus van Sant) que particularmente é um dos meus preferidos (não pelo Matt Damon e Ben Affleck, pelamordedeus!) mas pelo enredo (Oscar de Melhor Roteiro Original de 1998; Globo de Ouro de Melhor Roteiro de 1998) e pela belíssima atuação do Robin Williams.


Sei que alguns argumentam que não é a melhor atuação dele, mas foi bastante comovente, e é isso o que importa pra mim, que o ator convença na interpretação. Mas enfim, Elliott Smith compôs a maioria das músicas do filme, e até concorreu ao Oscar, mas perdeu pra My Heart Will Go On da Celine Dion (essa não precisa nem comentar né? ¬¬' ). Então vamos lá conhecer mais sobre ele:

Elliott Smith (Steven Paul Smith, nasceu em 6 de agosto de 1969, e faleceu em 21 de outubro de 2003 --> perceberam que assim como o Jeff Buckley, eu tenho uma queda por cantores mortos? vai saber!). Filho de pais separados, Elliott nunca teve um relacionamento saudável com o padrasto, e aos 14 anos mudou-se novamente para a casa do pai biológico, onde foi na adolescência que começou o consumo de álcool e drogas. Desde muito cedo já despontava seu talento musical, aos 9 anos já tocava piano e aos 10 violão. No período pós-colegial começou a tocar clarinete e guitarra, inclusive tocando em algumas bandas. Foi durante essa época que começou a ser conhecido como Elliott. Ele ainda se formou em filosofia e ciências políticas pela Hampshire College, antes de voltar para sua cidade, onde formou a banda Heatmiser, que tinha uma 'proposta sonora' (pegada, rsrs) mais voltada para o grunge e punk.


A banda durou até 95, mas Elliott já havia lançado seu primeiro cd solo, Roman Candle, um ano antes. Porém, o reconhecimento e a fama vieram definitivamente com a música Miss Misery, tema do filme Gênio Indomável.



Elliott sofreu e lutou contra a depressão e o consumo de drogas por anos, mas foi no dia 21 de outubro de 2003, após uma discussão com sua namorada, que ele foi encontrado morto com 2 facadas no peito. A autópsia foi inconclusiva quanto a suicídio ou homicídio. Lançou 5 discos solo, e ainda foram lançados 1 disco póstumo (o qual ele estava trabalhando na época de sua morte) e 2 compilações, além de uma biografia, também póstuma e um memorial.

Então, pra que vocês conheçam e se encantem, deixo aqui o meu disco preferido, Either/Or:

http://www.mediafire.com/file/1px4nf1r1b1gk14/Elliot%20Smith%20-%20either.rar

Apreciem e comentem! C;