sexta-feira, 25 de março de 2011

Entardecer

Um dos meus passatempos era caminhar no fim de tarde. Antes por esporte, depois por pura contemplação. Pôr do sol sempre me seduziu. Como luas cheias. Nunca são os mesmos, por mais que já se tenham visto milhares. Vistos, mas não reparados, essa é a questão. Outro dia andei imaginando como teria sido o primeiro do planeta. Ou o primeiro que um ancestral nosso tenha se encantado em eras remotas. O fato é que o encantamento persiste, através da passagem indiferente das areias na ampulheta do tempo. Pois bem, caminhava e cantava e seguia a canção toda tarde após ter concluído o ensino médio. E me encantava com os raios derradeiros do sol. E com as garotas que praticavam cooper. Imagino agora se algum ancestral meu também já se encantara com alguma garota passeando ao pôr do sol.

(foto tirada no sítio do Tião, grande brother. o joelho no canto inferior esquerdo é meu, rsrs)

sábado, 19 de março de 2011

Counting Crows


Mais uma das bandas que curto muito. Vocês podem não estar ligando os nomes aos rostos, mas com certeza já ouviram, é só lembrar do filme Shrek! A música Accidentaly in Love fez parte da trilha do filme Shrek 2. Também outra já muito rodada na MTV e nas rádios é a música Mr. Jones, single do primeiro disco August and Everything After, de 1993. Segundo o site da banda, já venderam mais de 20 milhões de discos nos seus 20 anos de carreira, com 5 discos de estúdio lançados e mais 2 ao vivo e 2 compilações até o presente. O estilo pode ser definido como rock alternativo (o que na minha modesta opinião, não define nada, rssrs). É uma banda super agradável de ouvir, com baladas marcantes e muito bem feitas, embaladas pela voz e o jeito de cantar anasalado bem característico de Adam Duritz. Só pra situar vocês, aí vai uma palhinha:


As principais influências da banda são Bob Dylan, REM, Van Morrison, Nirvana e The Band (nada mal hein?) As minhas preferidas são A Long December e Holiday in Spain. Vou deixar com vocês a coletânea Films About Ghosts, lançada em 2003. Enjoy! =)

quinta-feira, 17 de março de 2011

(Des)Caminho

Ontem te vi. Passei ao seu lado, mas não me percebeste. Senti o mesmo calafrio costumeiro, a mesma eletricidade eriçando meus pêlos, a mesma reviravolta no estômago. E continuei meu caminho.

I Coríntios, 13

...Agora o vejo em partes, mas então veremos face a face...

Sem dúvida o texto mais belo e significativo já escrito sobre o amor. Refletindo sobre essa passagem, percebi que sempre realizei o amor como a luz refratada num prisma multifacetado. Penso que a grande maioria das pessoas também. O vemos incompleto, ou melhor, só uma parte dele, uma pequena faixa do espectro de cores. Cada um o enxerga como melhor lhe aprouver: o amor carnal, o amor maternal, o amor-próprio, o amor humanitário, o amor fraternal, o amor por uma causa, o amor conjugal, etc. Ando me questionando quando o veremos e entenderemos em sua totalidade, quando entraremos em comunhão com o amor-todo. E principalmente, se é possível fazê-lo em tempos turbulentos como o nosso. Mas é justamente nas intempéries que se revelam muitos dos trunfos ocultos do coração humano. Na provação se revela a grandeza de caráter de muitos, a estender a mão corajosamente e desprentenciosamente ao desconhecido e socorrê-lo. E na contrapartida, também nos mostra a limitação de cada um de nós em suportar o fardo que nos é imposto. Se isso não for um vislumbre do que o amor é capaz de realizar, não sei mais o que seria...

O amor é paciente, tudo espera, tudo suporta, tudo crê.

Eis uma verdade sólida. Entendo o amor aqui exposto não como uma entidade abstrata, despersonalizada. O amor, como gosto de ver, é aquela centelha que nunca se exaure que habita dentro de nós. Podem argumentar que são apenas reações bioquímicas irradiadas por nossas glândulas, que não há nada de mágico, especial. É apenas o puro instinto de sobrevivência que nos leva a manter relações amorosas, como limitam-se a pensar os céticos, intelectuais e racionalistas. Será? Eu gosto de pensar que não. Há algo de inexplicável no amor, algo de que a ciência não pode se apropriar...algo tão...sublime.

Coração indigente (parte 2)


Essa não era, nem de longe, a vida que sonhara pra si. Se pudesse voltar os anos, no momento exato em que deveria ter feito a escolha que mudaria o rumo dos acontecimentos futuros! Lêdo engano, pois tal façanha, mesmo que possível, mesmo que existisse esse momento decisivo, mudaria apenas uma série de eventos, e talvez nem fosse tantos quanto imaginava que seriam, além de causar tantos outros adversos. A vida como é de comum acordo, é feita de escolhas. Muitas, diárias. Escolher não fazer nada, permanecer inerte frente aos acontecimentos, também é assumir uma posição e as implicações que dela decorrem. Mudar seu estilo de vida na juventude, andar com outras companhias, frequentar outros lugares poderiam até ter mudado sua condição atual, mas são escolhas que deveriam ser feitas e reiteradas nos momentos oportunos e mesmo assim, não há muitas garantias, nunca houve e nem poderiam haver, se a mudança também não se der no âmbito interior. Portanto, são apenas conjecturas....

Mas ainda há tempo. Sempre há, enquanto se está vivo. Ela só precisava de motivação, sair da sua zona de conforto, de um jeito ou de outro. A começar por 'ele'. Seria o primeiro impasse a ser resolvido, na sua lista de prioridades, pois já havia consumido mais do que o necessário de suas forças. Resolveria isso logo. Resolveria sua vida, ou a bagunçaria de vez. Mas tinha que ser com ou sem ele. 

I can't live with or without you. (U2)

sexta-feira, 11 de março de 2011

Segundo Amor


"Nós temos onze anos e ela é o amor de minha vida
Mas em uma semana, ela virará de costas para mim
Em quatro anos, ela me dará esperança, mas dormirá com meu melhor amigo
Em cinco anos, estaremos juntos, mas não restará
nada desse amor doído e sublime.
Mas eu não sei disso agora.
Porque temos onze anos e ela é o amor de minha vida."
(Second Love - Pain of Salvation) 

quinta-feira, 10 de março de 2011

Coração indigente (parte 1)


Ela ainda parecia estar  lá. No fundo ele sabia, achava que não, mas sempre esteve. Ela era o seu refúgio, seu porto seguro, sua tábua de salvação. Só acalmava-lhe o ímpeto quando estava aninhado em seus braços, coisa não sentida antes com outras pessoas, outros relacionamentos. Sempre ficava irrequieto, seu coração  não sossegava, estava em constante palpitação. Com ela era diferente. Ficava tranquilo, compassado. Era como a sensação boa de estar em casa novamente depois de uma temporada fora, uma viagem, uma ausência qualquer. Era como deitar na sua cama, comer a comida de mãe, usar o velho jeans macio de tanto que fora gasto. Ouvir os velhos discos, olhar antigas fotos, pisar as mesmas pedras da rua. Podia quase sentir seu cheiro, seu beijo trazido por alguma brisa mais brincalhona. Boa sensação estranha.