quinta-feira, 10 de março de 2011

Coração indigente (parte 1)


Ela ainda parecia estar  lá. No fundo ele sabia, achava que não, mas sempre esteve. Ela era o seu refúgio, seu porto seguro, sua tábua de salvação. Só acalmava-lhe o ímpeto quando estava aninhado em seus braços, coisa não sentida antes com outras pessoas, outros relacionamentos. Sempre ficava irrequieto, seu coração  não sossegava, estava em constante palpitação. Com ela era diferente. Ficava tranquilo, compassado. Era como a sensação boa de estar em casa novamente depois de uma temporada fora, uma viagem, uma ausência qualquer. Era como deitar na sua cama, comer a comida de mãe, usar o velho jeans macio de tanto que fora gasto. Ouvir os velhos discos, olhar antigas fotos, pisar as mesmas pedras da rua. Podia quase sentir seu cheiro, seu beijo trazido por alguma brisa mais brincalhona. Boa sensação estranha.

1 comentários:

Jamily disse...

eu quero o resto....

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