quinta-feira, 17 de março de 2011

I Coríntios, 13

...Agora o vejo em partes, mas então veremos face a face...

Sem dúvida o texto mais belo e significativo já escrito sobre o amor. Refletindo sobre essa passagem, percebi que sempre realizei o amor como a luz refratada num prisma multifacetado. Penso que a grande maioria das pessoas também. O vemos incompleto, ou melhor, só uma parte dele, uma pequena faixa do espectro de cores. Cada um o enxerga como melhor lhe aprouver: o amor carnal, o amor maternal, o amor-próprio, o amor humanitário, o amor fraternal, o amor por uma causa, o amor conjugal, etc. Ando me questionando quando o veremos e entenderemos em sua totalidade, quando entraremos em comunhão com o amor-todo. E principalmente, se é possível fazê-lo em tempos turbulentos como o nosso. Mas é justamente nas intempéries que se revelam muitos dos trunfos ocultos do coração humano. Na provação se revela a grandeza de caráter de muitos, a estender a mão corajosamente e desprentenciosamente ao desconhecido e socorrê-lo. E na contrapartida, também nos mostra a limitação de cada um de nós em suportar o fardo que nos é imposto. Se isso não for um vislumbre do que o amor é capaz de realizar, não sei mais o que seria...

O amor é paciente, tudo espera, tudo suporta, tudo crê.

Eis uma verdade sólida. Entendo o amor aqui exposto não como uma entidade abstrata, despersonalizada. O amor, como gosto de ver, é aquela centelha que nunca se exaure que habita dentro de nós. Podem argumentar que são apenas reações bioquímicas irradiadas por nossas glândulas, que não há nada de mágico, especial. É apenas o puro instinto de sobrevivência que nos leva a manter relações amorosas, como limitam-se a pensar os céticos, intelectuais e racionalistas. Será? Eu gosto de pensar que não. Há algo de inexplicável no amor, algo de que a ciência não pode se apropriar...algo tão...sublime.

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