segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Enquanto os ladrões dormem

Sabe quando me sinto mais solitário? À noite. Digo, adoro ficar acordado até altas horas madrugada adentro, adoro sentir o sereno acariciando meus cabelos e beijando meu rosto, eriçando meus pêlos. De noite me sinto mais disperto até. É o meu território, o território de um lobo uivando pra lua. Mas qual a finalidade de um lobo sem sua matilha mesmo? 
É verdade que não durmo muito. Dizem que terei problemas de saúde depois. Mas pra mim, o depois parece distante demais pra me preocupar com ele. E é por isso que continuo seguindo meu caminho torto pela madrugada à mercê da própria sorte. Não temo a noite. Antigamente, tinha um certo medo, não propriamente da noite em si, mas do que ela poderia abrigar. Assombrações das histórias que os mais velhos contavam, alienígenas que dissecavam humanos nos jornais sensacionalistas. Até dormia cedo, acalentado pelos cuidados familiares, e mais tarde pelas canções românticas das estações de rádio que escutava quando um aparelho toca-discos fora instalado no meu quarto. O que agradeço imensamente, pois moldou muito do meu gosto musical. Mal sabia eu que dividia aquelas músicas melosas com os caminhoneiros e vigias que labutavam àquelas solitárias horas. Pensar nisso hoje me faz sentir menos solitário. A diferença é que, enquanto eles constróem seu destino, hoje eu desconstruo o meu. 
Nessas silenciosas horas, enquanto até os ladrões dormem, eu contemplo as estrelas do meu quintal. Aprendi a identificar algumas. Elas me remetem aos antigos fenícios, persas e egípcios que também as olhavam procurando desvendar seu mistério. E a Copérnico e a Galileu que acreditavam que elas nos diriam muito mais do que os homens poderiam entender à época. E a Colombo, Drake e Fernão de Magalhães, que se lançavam aos mares nunca dantes navegados em busca do seu destino, sem saber do retorno certo. Não me lanço a lugar algum limitado por essas paredes. Só a mente mesmo que viaja.

3 comentários:

Itala Alves disse...

Não dormir muito não chega a ser um problema,
o problema para mim, é ter de "vigiar" o céu sem que alguém para compreender isso.
Não estou falando de companhia, sabe como é, antes só que mal acompanhado, mas alguém que saiba, ou diga que saiba, que você não enlouqueceu é uma boa de vez em quando.

Itala Alves disse...

E... escreva mais, eu sinto falta.

o ultimo poeta morto disse...

prefiro estar louco então ;)

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