terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Abismos existenciais

Pra grande maioria das pessoas, se não pra quase todas, é difícil saltar no abismo. E na nossa vida ordinária há incontáveis deles. Saltar é coisa pra corajosos. Só quem salta pode se deleitar com a vertigem alucinante da queda livre. Vale a pena? "Tudo vale a pena se a alma não é pequena", já dizia Fernando Pessoa. Bom, não faço idéia de quantos abismos ele saltou nem de quais em sua vida, mas se ele quer ter algum crédito pelo que escreve deve no mínimo saber do que se trata. O mundo é feito de pessoas reais, pessoas que saltam todo dia em abismos imensuráveis; dane-se o eu lírico! A própria existência humana é um salto no desconhecido. Pode ser um novo amor, uma proposta de emprego, a mudança de cidade, o início de uma família. O fato é que nunca sabemos o que esperar na aterrissagem. Só se pode acreditar, ou mesmo pular sem esperar nada. Como dizia outro 'poeta', que particularmente conheço bem mais que Fernando Pessoa: "O que nos dá coragem, não é o mar, nem o abismo/ é a margem, o limite, e sua negação" (Seguir Viagem - Humberto Gessinger). Coragem. Nada mais necessário no mundo hoje. Coragem pra mudar. Pra se indignar com os absurdos e não calar. Pra falar abertamente de sentimentos sem temer parecer piegas. Pra dialogar quando a saída mais fácil é o conflito gratuito. Pra se fazer o que tem que ser feito, e o que no fundo queremos muito fazer. Pra saltar no abismo sem pára-quedas.


foto: 10pãezinhos - Gabriel Bá e Fábio Moon

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