sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Dos finais e/ou (re)começos


Fim do ano. Ou do que possa significar esse ínterim que convencionamos relacionar ao tempo necessário para uma translação completa do nosso planeta ao redor do sol. O que, na verdade, é bastante relativo, se você se perguntar qual o ponto de referência que foi utilizado para demarcar o início e o fim do ciclo. Mas a maioria indiferente não se questiona tais coisas, preocupada em pular 13 ondas e fazer promessas de regime que tão logo serão abandonadas. Bom, deve fazer alguma lógica dividir o tempo assim, algo com sua origem nas mudanças das estações, inclinação da terra, trajetória elíptica, equinócios e solstícios, fases lunares, ciclos menstruais, etc. Ou talvez, alguém tenha simplesmente olhado para um céu visivelmente mutável ao longo do tempo e decidido que assim seria, e conseguiu influenciar outros a adotar suas idéias, ou alguém(s) ainda mais notoriamente influente que decidiu que sua ideia era legal. Whatever. 

O fato é que tenho uma relação estranha com o tempo. Estranho essa mania estranha das pessoas de atribuir um sentido metafísico a certas constâncias temporais. Como fins de ano. E aniversários. Por isso não faço promessas de ano novo. As promessas não fazem diferença alguma se não forem cumpridas, ou no mínimo, dispensado um esforço sincero na tentativa de cumpri-las. Todavia, um exercício que considero bastante válido é fazer uma retrospectiva do que se passou consigo no decorrer desse intervalo. É interessante checarmos o quanto evoluímos, ou regredimos, se for o caso, e as lições valorosas que tiramos de nossas experiências, algumas forçadas, outras concordadas.

E aqui me encontro revivendo os momentos marcantes, as oportunidades perdidas, ora por comodismo em assumir ocupações desmotivantes, ora por puro receio de fracassar. Pouco avancei no quesito profissional, mas para ser justo, algum progresso financeiro consegui, ainda que ínfimo. Na questão intelectual, embora tenha lido bastante em quantidade, pouca coisa pude realmente absorver, pois a maioria disso tudo foi leitura recreativa e não tão enriquecedora. Ainda mantenho a minha velha inaptidão em adquirir e conservar relacionamentos pessoais, e chances para provar isso não faltaram. Descuidei demasiadamente da minha saúde, aumentei consideravelmente meus vícios, maltratei meu corpo a níveis pouco inteligentes para uma pessoa na minha condição de vida.

Se fiquei mais sábio? Pouco provável. O mais certo é que tenha ficado mais ranzinza, menos paciente, menos esperançoso, menos crédulo no futuro e diminuído minhas expectativas a um grau de mediocridade. Bom, não posso dizer que tudo foram espinhos nesse jardim de cactus, algumas florzinhas miúdas brotaram. Conheci pessoas interessantíssimas, as quais me agradaria deveras se pudessem ter nossos laços fortalecidos. E se for pra ter alguma meta alcançável no ano vindouro, que seja essa então. Além de finalmente conseguir meu diploma e publicar meus textos nada existenciais e comerciais, óbvio. Por fim, (do ano e desse post) é isso, embora não seja um fim. Na verdade não é nada demais, só mais uma coisa (lembrando da minha relutância em acreditar em algo que mude com a passagem dos ciclos anuais). Até ano que vem. 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Postagem sem mais importância, numa hora irrelevante, apenas pra preencher esse espaço


03:35

Não consigo dormir.

Juro que tentei. Apesar de dormir pouco, como já havia lhe falado, as vezes sinto falta. As vezes penso que uma boa noite de sono poderia apagar os últimos vestígios de um dia ruim. Não que meu dia tenha sido assim. Na verdade, há dias que não tenho a mínima noção do que estou fazendo.

Li os livros que me recomendaste. Assisti aos filmes também. Gostei, apesar de lamentar o fato de que não consiga emitir uma opinião mais profunda que um simples ‘gostei’. Talvez não tenha sua profundidade.  Mas por favor, entenda que não estou chamando você de intelectualóide. Mas já consigo ate imaginar sua reprovação ao meu comentário, rs. Anyway, eu não estava errado sobre a minha impressão quanto ao seu gosto artístico. É realmente singular. Esse é todo o diferencial. Você é singular.

Deve ser essa a causa. Sei que você analisaria a questão sob as mais diversas logicas, e finalmente me venceria com seus argumentos, mas se for o caso, admito de antemão minha derrota. Não posso debater racionalmente. Somente sinto, e o sentimento ofusca todo meu julgamento. Sinto sua falta. É isso.

Sai com meus amigos, li muito nesses dias, voltei a praticar o violão. Tentei viver a vida. Tentei não ligar muito pro que estou sentindo. Mas uma hora ou outra solitária que seja, o peso de toda essa negação cai sobre a gente, e particularmente nessas horas eu odeio me confrontar com a realidade. Hoje aconteceu. E agora estou aqui, me permitindo extravasar sem saber ao certo o resultado pratico deste feito. Terá um?

Talvez me arrependa de ter escrito tudo isso depois. Me arrependeria mais ainda se você lesse. Mas, não adianta. Pra que querer me enganar? Você me cativou. De um jeito que há tempos havia sido perdido. Não me vem a luz das lembranças mais proximas um momento em que tenha me sentido assim. Eu me senti vivo novamente. Fui como eu era, novamente. Como eu deveria ser. Leve, disposto, jovem... so que não me sinto mais assim agora. Os sorrisos bobos que você me arrancava levianamente a cada minuto se fecharam numa carranca fossilizada na minha face. Agora vagueio inquieto na minha casa de madrugada, como um animal enjaulado. Agora transmutei-me na minha própria caricatura, como aquelas do jornal de domingo.

Sinto sua falta.